Série B: Entenda como Grêmio e Bahia chegam para ano na segunda divisão

Mesmo com cortes, folha salarial dos gaúchos é quase o triplo da do Vasco

Porto Velho, RO - O Grêmio este ano apresenta à Série B um novo perfil de participante. Diferentemente de outros times grandes que foram rebaixados, o resultado esportivo em 2021 não foi consequência de crise financeira. 

Então, mesmo sem a manutenção dos valores dos direitos de transmissão da Série A na segunda divisão, mecanismo extinto em 2019, o time gaúcho chega à competição que começa nesta sexta-feira como o rico da turma. Ele estreará sábado, contra a Ponte Preta, em Campinas (SP).

Não quer dizer que os gaúchos não precisaram se ajustar à nova realidade. Nesses cinco meses, desde a queda, cortou gastos administrativos e, principalmente, no departamento de futebol. A folha salarial caiu 40%. A diretoria se esforça para cortar mais, a meta é derrubá-la pela metade quanto a 2021.

Mas quando se olha os números absolutos, fica evidente o tamanho da disparidade. O Grêmio começa a Série B com R$ 10 milhões de folha no futebol. O Vasco, que estreia nesta sexta-feira, às 19h, contra o Vila Nova, em São Januário, iniciou o ano planejando gastar R$ 3,8 milhões por mês. 

O Botafogo, campeão ano passado, deu a volta olímpica com folha de R$ 2,8 milhões. Este ano, na Série A, o alvinegro estima gastar com salários o mesmo que o Grêmio este ano, na divisão de baixo.

Tanta folga nas finanças faz com que se questione como o Grêmio conseguiu, mesmo tão rico, ser rebaixado. O presidente Romildo Bolzan lembra do estrago causado pela saída de Renato Gaúcho, após cinco anos como técnico, mas afirma que “o velório já acabou”.

— Estamos nos reciclando com a cultura do que significa para nós a Série B. É uma competição em que às vezes é a questão da vontade, mais do que a técnica. Estamos montando uma preparação emocional. Temos uma obrigação moral de retorno.

Obsessão no Bahia

Outra atração é o Bahia, que emplacou cinco temporadas seguidas na elite. Até a queda, despontava entre os principais emergentes do futebol brasileiro, resultado da boa gestão do presidente Guilherme Bellintani.

— Temos a expectativa de subir. Nós nos organizamos muito nos últimos anos. O rebaixamento é ponto fora da curva — diz o vice Vitor Ferraz: — Subir é mais do que necessidade, é obsessão.

O rebaixamento é uma ameaça real a esse trabalho em curso. Diferentemente do Grêmio, que mantém boa parte de seu poderio financeiro graças ao crédito que possui e ativos que não foram afetados pela queda, como os direitos econômicos de jogadores, o Bahia perdeu toda sua gordura com a pandemia. Fonte importante, o sócio-torcedor, que tinha 46 mil pagantes em 2019, caiu para 15 mil na crise.

O clube foi obrigado a reduzir a folha salarial em 60% em comparação a 2021. Estreia nesta sexta, contra o Cruzeiro, às 21h30, na Fonte Nova, com gastos de R$ 2 milhões por mês, incluindo comissão técnica. Ao longo da competição, isso pode mudar. 

O Bahia tenta criar sua Sociedade Anônima de Futebol, solução encontrada pelos mineiros, que inicia a terceira temporada longe da primeira divisão.

A entrada de recursos emergenciais, para mudar o cenário da competição, pode acontecer também com o Vasco, que sonha em vender sua SAF até julho e receber a injeção imediata, na assinatura, de R$ 120 milhões.

Seria o caso de o Grêmio colocar as barbas de molho, quanto à supremacia econômica ao longo da Série B?

— Não acredito que quem optar por se tornar SAF vai fazer disso uma solução a curto prazo. Seria repetir os erros antigos — afirmou Bolzan, do clube gaúcho.


Fonte: O GLOBO

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