Martín Fernandez: Com sorte, Guardiola chega à seleção brasileira para o hepta

Quanto mais distante do futebol brasileiro, mais perto a seleção estará do título mundial

Porto Velho, RO - Com três meses de atraso, após um período precioso do ano desperdiçado com campeonatos estaduais longos e desinteressantes, começa amanhã a Série A. 

Qualquer tentativa de análise ou previsão sobre o que deveria ser o melhor produto do futebol brasileiro se torna um exercício descartável quando sete dos vinte clubes já trocaram de técnico em 2022, quando as duas maiores forças populares do país estão sob ameaça de suas próprias torcidas, quando o calendário exótico continua sendo o maior fator de desequilíbrio.

Melhor falar sobre a sucessão de Tite na seleção brasileira, esta entidade cada vez mais descolada do futebol que se pratica no Brasil — o que é um elogio sincero. Quanto mais distante do futebol brasileiro, mais perto a seleção estará do título mundial.

Falta quase um ano para o primeiro compromisso da seleção após a Copa do Mundo. Ainda assim, o fato de Tite ter anunciado com tanta antecedência, e de maneira tão assertiva, que deixaria o cargo após o Mundial abriu as inscrições para o campeonato preferido da imprensa esportiva, no Brasil e no exterior: a especulação.

A reta final de 2021 desativou a fábrica de manchetes que nomeava Renato Gaúcho o novo selecionador do Brasil, mas fez soar —ainda que com bem menos intensidade — aqui e ali os nomes de Cuca e Abel Ferreira. Ontem o sarrafo subiu, com a notícia do “Marca”, da Espanha, de que a CBF teria procurado Pep Guardiola e prometido a ele um salário de 12 milhões de euros por ano. Metade do que ele fatura no Manchester City, algumas vezes mais do que Tite ganha da própria CBF.

Não há nenhum esforço aqui para duvidar do que publica o diário espanhol, que atribui a informação a “pessoas que ainda não fazem parte da nova estrutura da Confederação, mas que salvo alguma surpresa vão fazer”. 

Ednaldo Rodrigues, eleito presidente da CBF há menos de 20 dias, não fez e não autorizou ninguém a fazer propostas em seu nome a quem quer que seja. Mas o fato de ainda não ter anunciado as pessoas com quem vai trabalhar permite que esse tipo de informação circule.

É divertido imaginar como seria ter o maior técnico do mundo no comando do time da CBF. Como reagiria Pep aos apelos para que deixasse de convocar jogadores que atuam no Brasil, afinal levá-los para a seleção significaria desfalcar os clubes em jogos decisivos? “Ele precisa ter sensibilidade!” Como reagiria Pep ao saber que, depois de uma partida decisiva de Eliminatórias, seus jogadores embarcariam em aviões privados para voltar correndo ao Brasil e entrar em campo no dia seguinte por seus times? Caro Pep, poderia por favor só convocar um jogador por time? Sabe como é...

O “aviso prévio” de Tite levantou um debate desnecessário meses antes da Copa do Mundo. Mas provavelmente permitirá ao técnico mostrar a sua melhor versão no Catar. 

Conversei com Tite na semana passada em Doha e o notei ao mesmo tempo mais sereno e mais seguro, menos preso a dogmas de outros tempos, mais leve e disposto a arriscar. Quem tiver dúvidas sobre seu trabalho pós-2018 deveria consultar o ranking da Fifa. Se der tudo certo, Pep chega para tentar o hepta. E resolver mais um ou outro problema.


Fonte: O GLOBO

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