Possível adversário do Brasil: entenda o que levou a Alemanha ao pote 2 do sorteio da Copa e como esse cenário já mudou

Depois de passar por anos turbulentos e com dificuldades para se renovar após a conquista da Copa de 2014, alemães vivem nova era sob comando de Hansi Flick

Porto Velho, RO - É bem possível que todo brasileiro se lembre onde estava em 8 de julho de 2014, dia do fatídico 7 a 1. As lembranças daquela goleada permanecem vivas na memória do torcedor, que se arrepia com a possibilidade de um possível encontro com a Alemanha na fase de grupos da Copa do Mundo de 2022. 

A verdade é que nenhum dos cabeças de chave do sorteio de hoje, às 13h, no Catar, quer ver a bolinha dos alemães cair na sua chave, o que virou possibilidade após uma sequência de anos ruins e a queda no ranking da Fifa terem colocado a tetracampeã mundial no pote 2.

A preocupação aumenta porque a Alemanha parece ter encontrado seu caminho a meses do Mundial. Na última quarta-feira, os alemães conheceram o primeiro resultado diferente de uma vitória desde que Hans-Dieter “Hansi” Flick assumiu o comando da seleção no lugar de Joachim Löw, após a Euro 2020, disputada no ano passado. Em amistoso contra a Holanda, a equipe empatou em 1 a 1 depois de uma sequência de oito vitórias seguidas, 33 gols marcados e apenas dois sofridos.

Soccer Football - Germany Training - Eintracht Frankfurt Training Ground, Frankfurt, Germany - March 22, 2022 Germany coach Hansi Flick with Leroy Sane and Kai Havertz during training REUTERS/Heiko Becker Foto: HEIKO BECKER / REUTERS

Os adversários não eram dos mais poderosos: Licheinstein (que chegou a levar 9 a 0), Armênia, Macedônia do Norte, entre outros, integrantes do grupo J das Eliminatórias da Copa. Mas chama atenção no trabalho de Flick a transição de modelo de jogo: acostumada a trabalhar mais a posse da bola, a Alemanha joga um futebol mais acelerado, de alta movimentação de suas linhas.

É uma proposta muito semelhante à que o técnico implementou no seu meteórico Bayern de Munique, campeão europeu sobre o Paris Saint-Germain e um dos times que mais assustou o cenário de clubes europeus, dono de um futebol de alta intensidade e capaz de acabar com partidas em questão de minutos.

— A confiança voltou. Perdemos depois daquela bagunça na Euro, mas o estilo de jogo de Hansi trouxe isso de volta — opinou o lendário Karl-Heinz Rummenigge.

A transição para esse modelo foi um desafio que Löw nunca conseguiu cumprir. O técnico faturou uma Copa do Mundo com um meio-campo que tinha nomes como Toni Kroos, Schweinsteiger e Khedira, exímios controladores de ritmo e de espaço. 

Mas o surgimento de jogadores de frente mais dinâmicos, que exigem um jogo de mais movimentos, trocas de posição e infiltrações para render seu melhor mudou o panorama.

Os anos após a conquista de 2014, resultado de um ciclo de solidificação de um projeto de futebol iniciado oito anos antes por Löw e muito elogiado interna e externamente, foram caóticos e turbulentos. Havia tensão no vestiário — simbolizado pela troca de farpas públicas entre os goleiros Neuer e Ter Stegen em 2019 — e o esgotamento do projeto e do modelo começou a chegar no campo, fazendo as coisas desandarem ainda mais.

Os alemães fizeram uma boa Euro em 2016, parando na França na semifinal. Mas protagonizaram decepções seguidas nos anos seguintes: a traumática saída na fase de grupos do Mundial da Rússia, em 2018 — com derrota para a Coreia do Sul —, o “rebaixamento” na Liga das Nações (revertido por mudança posterior no regulamento) e a acachapante goleada por 6 a 0 para a Espanha, também pela Liga das Nações, abalaram um time e uma torcida costumeiramente orgulhosos de seus resultados e consistência.

Ainda em 2019, numa tentativa que acabou lida posteriormente como desesperada, Löw chegou a afastar os veteranos Müller, Hummels e Boateng da equipe, tentando abrir espaço para a renovação. Mas os nomes que surgiram não suplantaram a necessidade de tê-los na equipe, especialmente Müller, símbolo do time campeão de 2014 e atacante versátil, capaz de se adaptar a quase todo tipo de proposta de jogo. Após dois anos de afastamento, os dois primeiros voltaram para a disputa da Euro, em junho do ano passado.

Muller (13) voltou à seleçao após ausência Foto: PIROSCHKA VAN DE WOUW / REUTERS

Em março daquele ano, Löw anunciou que o torneio seria sua despedida da seleção. Semanas depois, seu time ainda protagonizaria a primeira derrota nas Eliminatórias europeias em 20 anos: 2 a 1 para a Macedônia do Norte e o fim de uma invencibilidade de 35 jogos no torneio.

Mas nem tudo foi caos. Apesar da saída nas oitavas para a Inglaterra, a Alemanha apresentou ao mundo uma nova e promissora geração na Euro. O decisivo meia-atacante Kai Havertz, o eficiente lateral Gosens e o jovem Musiala pedem passagem em uma equipe que tem os experientes Gundogan e Rüdiger, além de nomes cobiçados no mercado europeu como Goretzka, Sané e Kimmich.

Havertz se notabilizou pelos gols decisivos Foto: DANIEL ROLAND / AFP

— Foram 15 anos de momentos maravilhosos e outros desapontadores. Mas o time e os jogadores têm um futuro brilhante — projetou Löw em sua despedida.

É cedo para dizer se Flick, ex-auxiliar de Löw, será capaz de montar a máquina de demolição que desenvolveu em Munique. Para o Brasil, é torcer para evitar seu primeiro confronto com um campeão mundial na fase de grupos desde a Copa de 1970, quando a seleção teve a Inglaterra em sua chave.






Fonte: O GLOBO

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