Macron se diz aberto a atenuar reforma da Previdência, em tentativa de atrair eleitores de esquerda

Governo diz buscar 'compromisso' entre vários setor, enquanto Le Pen critica 'estratagema'

Porto Velho, RO - Enfrentando uma disputa apertada contra a candidata da extrema direita Marine Le Pen no segundo turno das eleições francesas em 24 de abril, o presidente francês, Emmanuel Macron, mostrou estar disposto a atenuar a sua posição sobre a reforma do sistema previdenciário francês e o aumento da idade de aposentadoria – propostas cruciais que ficaram pendentes de seu primeiro mandato, quando provocaram grandes protestos antes da pandemia da Covid-19, e que ele promete agora concretizar.

Macron tem feito campanha em antigas áreas industriais que se tornaram redutos da extrema direita. Para vencer, ele depende do apoio de eleitores de Jean-Luc Mélenchon, candidato da esquerda radical que ficou em terceiro lugar no primeiro turno, no domingo, e foi seu crítico contumaz durante os cinco anos no poder.

O presidente disse estar disposto a adiar a implementação da reforma previdenciária e a aumentar a idade de aposentadoria de 62 para 64 anos – em vez de 65, sua proposta inicial – de modo a tentar “construir um consenso”.

— Estou pronto para mudar o cronograma e dizer que não precisamos necessariamente implementar a reforma até 2030 se sentir que as pessoas estão muito preocupadas com isso — disse Macron. — Não vou fingir que nada aconteceu. Ouvi a mensagem daqueles que votaram nos extremos, incluindo aqueles que votaram em Le Pen.

Macron prometeu implementar as reformas previdenciárias durante seus primeiros cinco anos no cargo, mas, além de motivar protestos e greves, o plano acabou adiado com o início da pandemia no início de 2020. A proposta voltou como um pilar central de sua campanha à reeleição.

Macron argumenta que, com o aumento da expectativa de vida, o sistema previdenciário francês, que depende de pagamentos de quem trabalha pelos aposentados, não pode ser equilibrado financeiramente sem uma reforma.

Sua proposta original previa o aumento da idade de aposentadoria em quatro meses a cada ano para atingir 65 anos até 2032.

Na segunda-feira, Macron disse também que outras opções poderiam ser consideradas e que haveria consideração especial para aqueles em trabalhos difíceis e penosos. Macron também disse que os planos de reforma podem ser submetidos a um referendo nacional.

Críticas de Le Pen

Le Pen — que faz uma campanha cujo principal assunto é o aumento do custo de vida, e cujo discurso incorpora elementos em geral associados à esquerda, com ênfase em temas sociais — primeiro prometera reduzir a idade de aposentadoria para 60 anos, sem no entanto justificar como pagaria pela medida. 

Em seguida, ela reviu a proposta e prometeu manter os atuais 62 anos, permitindo a aposentadoria aos 60 para quem começou a trabalhar com menos de 20 anos.

O anúncio de Macron despertou críticas por parte da conservadora:

— Os franceses são muito inteligentes. Todo mundo sabe que isso é um estratagema de Emmanuel Macron para tentar conquistar, ou pelo menos acalmar, eleitores de esquerda — disse Le Pen à rádio France Inter nesta terça-feira. — A realidade é que a aposentadoria aos 65 anos é sua obsessão. Ele só fala sobre isso.

Frente a grandes protestos, em fevereiro de 2020, o governo Macron deu início à aprovação da reforma se valendo de um dispositivo legal francês que permite ao presidente aprovar uma lei sem uma votação parlamentar. Em julho de 2020, a pandemia o forçou a engavetar o projeto.

Alguns de seus ministros defenderam publicamente uma atenuação da reforma. O ministro das Finanças, Bruno Le Maire, disse que era melhor buscar um "compromisso" com os oponentes da reforma previdenciária do que reviver o debate.

— Sabemos que é difícil convencer os franceses — disse Le Maire à televisão CNews, enquanto insistia que Macron buscará uma reforma previdenciária "que seja justa e duradoura".

O ministro do Interior, Gerald Darmanin, disse que Macron estava simplesmente sendo "pragmático".

— Isso se chama ouvir as pessoas — disse ele à rádio FranceInfo.

Macron recebeu um apoio de peso na terça-feira, do ex-presidente conservador Nicolas Sarkozy, que quebrou meses de silêncio da campanha para dizer que votará no atual presidente.


Fonte: O GLOBO

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