Boris Johnson e ministro das Finanças são multados por violarem as regras de isolamento da pandemia com festas e encontros

Punição pode reavivar pressão por saída do premier em caso 'partygate', após guerra nada Ucrânia desviar a atenção do público britânico

Porto Velho, RO - O primeiro-ministro do Reino Unido, Boris Johnson, e o chanceler do Tesouro britânico, Rishi Sunak — cargo equivalente ao de ministro das Finanças —, foram informados pela polícia de Londres que receberão multas por participarem de 12 encontros, reuniões e festas que violaram regras de distanciamento social durante períodos de quarentena na pandemia, na punição mais prejudicial contra o premier até agora do escândalo apelidado de “partygate” pela mídia britânica.

Os dois políticos mais poderosos do Reino Unido foram informados nesta terça-feira pela Polícia Metropolitana da intenção de multá-los, disse o gabinete de Boris em comunicado. A nota acrescentava que ainda não tinha mais detalhes sobre o caso, e informaria quando estes surgissem.

As multas reforçarão a percepção pública de que, enquanto os britânicos comuns sofriam com severas restrições à socialização durante a pandemia de Covid-19, o primeiro-ministro e seus funcionários faziam festas em prédios do governo. A punição também pode dar novo vigor aos apelos do Partido Conservador, do próprio Boris, para derrubar o primeiro-ministro.

O líder de oposição Keir Starmer, do Partido Trabalhista, disse que as multas são um sinal de que os dois homens devem deixar seus cargos."Boris Johnson e Rishi Sunak violaram a lei e mentiram repetidamente para o público britânico. Ambos devem renunciar", disse Starmer em comunicado. "Os conservadores são totalmente incapazes de governar. O Reino Unido merece melhor."

No início deste ano, mais de dez parlamentares do próprio Partido Conservador pediram a sua renúncia. O escândalo acabou perdendo espaço no debate público britânico após o início da guerra na Ucrânia, e Boris reconquistou alguns de seus críticos.

No entanto, o clima agora pode mudar: se 54 parlamentares conservadores, ou 15% do total de 360 parlamentares do partido, enviarem cartas a uma comissão do partido, isso desencadeará um voto de desconfiança no primeiro-ministro.

Em janeiro e fevereiro, vários legisladores conservadores falaram publicamente sobre sua insatisfação com Boris, enquanto outros o admitiram sob condição de anonimato. As cartas são confidenciais, então somente o presidente da chamada Comissão de 1922, Graham Brady, sabe quantas pessoas realmente pediram o voto de confiança.

Caso o número de cartas seja alcançado e haja um voto de confiança, todos os deputados conservadores podem votar a favor ou contra o seu líder. Se Boris vencer, ele permanecerá no cargo e não poderá ser contestado novamente por 12 meses. Se perder, deve renunciar e é impedido de concorrer à eleição de liderança que se segue.

Festa no jardim e de aniversário

Uma força policial investiga desde o final de janeiro uma série de encontros sociais, reuniões e festas em prédios do governo, incluindo uma no jardim do palácio do governo na qual Boris foi fotografado, e outra na sala do gabinete em seu aniversário. A polícia começou a emitir multas aos funcionários no final de março.

Em um relatório preliminar publicado em janeiro, a funcionária pública Sue Gray, que lidera a investigação, criticou as “falhas de liderança e julgamento” no topo do governo de Boris, e criticou uma cultura de bebida “excessiva” no governo. Suas descobertas completas serão divulgadas assim que a polícia concluir a sua investigação.

O primeiro-ministro disse repetidamente que tinha certeza de que nenhuma regra fôra quebrada, e que achava que a reunião no jardim, à qual ele reconheceu ter comparecido, era um evento de trabalho. Mas a multa deve suscitar novas perguntas dos partidos da oposição sobre se Johnson enganou a Câmara dos Comuns.


Fonte: O GLOBO

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