Luiz Fernando: da Sefin ao Senado, o pré-candidato do PSD que quer levar gestão fiscal e desenvolvimento para Rondônia

Luiz Fernando: da Sefin ao Senado, o pré-candidato do PSD que quer levar gestão fiscal e desenvolvimento para Rondônia


Ex-secretário de Finanças do Estado acumula 22 anos como auditor fiscal e promete atuação técnica em Brasília para atrair investimentos, reduzir pedágios e fortalecer a agricultura familiar

De auditor fiscal a pré-candidato ao Senado

Porto Velho, RO - Em uma entrevista exclusiva à redação, o pré-candidato ao Senado pelo PSD, Luiz Fernando, detalhou sua trajetória de 22 anos como auditor fiscal do Estado de Rondônia e os sete anos e dois meses em que esteve à frente da Secretaria de Finanças (Sefin) — de 2019 a março de 2026.

Natural do Rio de Janeiro, mas em Rondônia desde os 11 anos de idade, o gestor de 58 anos se considera "um rondoniense da gema" e tem na experiência acadêmica um dos primeiros elos com o atual governador Marcos Rocha, de quem foi professor universitário.

"O governador me convidou para ser o pré-candidato ao Senado, que seria naturalmente a vaga que ele ocuparia. É um convite extremamente honroso, que implica numa confiança muito grande", afirmou Luiz Fernando, ressaltando que o governador decidiu permanecer no cargo até o final do mandato para consolidar as entregas e as contas em dia.

Gestão na Sefin: menos punição, mais diálogo

Um dos pilares da gestão de Luiz Fernando à frente da Sefin foi a mudança na relação com os contribuintes. "A Sefin mudou muito a forma de se relacionar com os contribuintes. A gente procurou tirar a ênfase da punição, do auto de infração, da multa, e passar a dar mais oportunidades para o próprio contribuinte regularizar eventuais inadequações", explicou.

O programa "Fiz Conforme", criado nesse período, estimula a autorregularização e foi bem recebido por contadores, produtores e empresários. Os resultados, segundo o ex-secretário, são expressivos:

  • Saldo de empresas abertas saltou de 5 mil (2018) para 30 mil (2025) — crescimento de 500%.
  • Faturamento das empresas cresceu 164% no período.
  • Arrecadação aumentou 98%.
  • Exportações triplicaram.
  • Estado registra um dos menores índices de desemprego do país.

Isenção do IPVA para motos: justiça fiscal com responsabilidade

Entre as medidas de destaque, Luiz Fernando citou a isenção do IPVA para motocicletas de até 170 cilindradas, uma iniciativa que aliviou o bolso de quem tem menor capacidade econômica.

Questionado sobre resistências internas, ele admitiu que houve preocupações quanto à perda de arrecadação, mas defendeu que a medida foi compensada por ajustes na fiscalização e pelo aumento da arrecadação decorrente da formalização de contribuintes.

"É preciso ter conhecimento, capacidade de articulação, capacidade de demonstrar que essa decisão é boa para todo mundo", ponderou.

BR-364: críticas ao modelo de concessão e defesa de revisão tarifária

Um dos temas mais quentes da entrevista foi a concessão da BR-364. Luiz Fernando foi incisivo ao criticar o modelo aprovado:

"A quantidade de duplicação de quilômetros é muito pequena, terceiras faixas, muito pequena. Não traz uma melhoria significativa da segurança. No entanto, o custo do pedágio é um dos maiores do país. É um desenho muito ruim, que vai pesar muito para quem precisa transportar mercadorias".

Ele apontou que o cálculo do fluxo de veículos foi feito no pós-pandemia, "fora da realidade atual", e que a receita da concessionária está muito acima do previsto, o que torna possível uma revisão tarifária — já há ação judicial em andamento.

O ex-secretário também alertou para o impacto inflacionário: tudo que é transportado pela rodovia terá custo repassado ao consumidor final.

Hidrovia do Madeira: privatização com cautela

Sobre a privatização da hidrovia do Madeira, Luiz Fernando adotou tom cauteloso. Ele reconhece a necessidade de investimentos em dragagem, remoção de rochas e mapas de navegação para garantir a navegabilidade durante todo o ano, especialmente em períodos de seca.
No entanto, alertou:

"Se o modelo for parecido com o da BR-364, é melhor que não tenha, é melhor deixar como está. Porque se isso gerar um aumento de custo tão grande que vai pesar nas costas dos rondonienses, isso é muito ruim".

O pré-candidato também desmentiu boatos de que ribeirinhos pagariam pedágio, esclarecendo que a cobrança recairia sobre as empresas, mas que ainda assim há risco de repasse de custos.

Guajará-Mirim e a Rota do Pacífico

Luiz Fernando dedicou atenção especial a Guajará-Mirim, cidade estratégica para a integração comercial com os países vizinhos. Durante sua gestão na Sefin, o município recebeu isenção de ICMS sobre combustíveis para revitalizar a economia local.

"Guajará pode ser a grande porta de entrada dos produtos que vêm da Ásia para o Brasil e base para exportação dos nossos produtos para os países vizinhos e para a China", defendeu.

Entre as necessidades apontadas estão a criação de porto seco, melhorias nas pontes, funcionamento 24 horas da aduana da Receita Federal e acordos comerciais com Bolívia, Chile e Peru.

Ele também destacou a importância da regulamentação da reforma tributária para definir o que será considerado "matéria-prima regional" e garantir os benefícios da área de livre comércio.

Agricultura familiar: isenção fiscal e geração de crédito

Outro ponto forte da entrevista foi o apoio à agroindústria familiar. Luiz Fernando explicou que, durante sua gestão, os produtos da agricultura familiar foram isentos de ICMS e, além disso, geram crédito para quem os compra — o que garante competitividade no mercado.

"Estimular essa atividade é o que gera desenvolvimento com justiça, gera distribuição de renda e condições para o crescimento econômico acontecer", afirmou.

Ele destacou que Rondônia tem predominância de pequenas propriedades, o que favorece a produção de leite, café e cacau, gerando maior distribuição de renda do que a grande propriedade voltada à soja.

Vida pessoal e fé

Casado com Aricélia Silva há mais de 13 anos, pai de quatro filhos e avô de um neto, Luiz Fernando compartilhou sua trajetória de vida: chegou a Rondônia em 1979, estudou nos colégios Carmela Dutra, John Kennedy e Dom Bosco (com bolsa de estudo), formou-se em Administração pela UNIR, fez pós-graduações e concluiu mestrado em Administração Tributária na Espanha.

Aos 14 anos, entrou no Banco do Brasil como menor aprendiz. Foi superintendente da Unimed, administrador de empresas e consultor de projetos.

Frequentador da Igreja Presbiteriana do Brasil desde os 10 anos, é professor de escola dominical e líder de célula.

"Gosto muito de estar em casa, tocar violão, curtir a família. É onde a gente alimenta as energias, as baterias são recarregadas", confessou.

Propostas para o Senado

Caso eleito, Luiz Fernando promete atuação focada em:

  1. Desenvolvimento econômico com geração de empregos e oportunidades para os jovens.
  2. Defesa dos interesses de Rondônia na reforma tributária, garantindo que a regulamentação contemple a realidade local.
  3. Revisão do pedágio da BR-364 e mais investimentos em infraestrutura estadual.
  4. Fortalecimento da agricultura familiar e da agroindústria.
  5. Integração com países vizinhos pela Rota do Pacífico, com Guajará-Mirim como porta de entrada.

Campanha e convenção


Luiz Fernando integra a coligação formada por PSD, PRD, Avante e Solidariedade, que tem Adailton Fúria como pré-candidato ao governo e Everton Leoni como vice. A convenção do partido está prevista para 25 de julho.

"Conheça a trajetória das pessoas que estão colocando seu nome à disposição. Espero que possamos nos ver mais vezes. Estamos sempre à disposição de Rondônia, porque a gente acredita que é possível fazer Rondônia melhor, cada vez melhor para o nosso futuro, para os nossos filhos", concluiu.

Para mais informações, acompanhe Luiz Fernando nas redes sociais: @luiz.fernando.ro no Instagram.

Confira a entrevista completa:

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