
Porto Velho (RO) — Uma reportagem investigativa, baseada em documentos oficiais obtidos pela redação, revela que os valores pagos por criação e produção de campanhas institucionais do Governo do Estado de Rondônia dispararam durante a gestão do secretário Renan Fernandes Barreto à frente da Secretaria de Estado de Comunicação de Rondônia. Os números chamam atenção por apresentarem crescimento considerado irreal para peças digitais e institucionais de curta duração.
A análise se baseia na Ordem de Serviço Interna nº 132, emitida pela Coordenação de Estratégia, Publicidade e Promoção (SECOM-CEPP), dentro do Contrato nº 1180/2025/PGE-SUGESP, firmado com a agência PEN6 LTDA, com vigência até 13 de outubro de 2026.
R$ 330,7 mil para um único pacote de produção
Os documentos mostram que, para a Campanha Institucional – Temática Gestão 2025, foi autorizado o montante de:
R$ 315.000,00 em custos de terceiros (criação e produção);
R$ 15.750,00 em honorários (5%);
Total geral: R$ 330.750,00.
📌 Período de execução: 28/10/2025 a 28/11/2025
📌 Tipo de ação: Criação e Produção
📌 Finalidade: Conteúdo institucional para internet e comunicação interna
O que foi produzido — e quanto custou
A reportagem detalhou item por item do pacote aprovado:Todas as peças foram aprovadas pela SECOM e valoradas com base em “custos internos de agência/tabela Sinapro”, sem registro de ampla concorrência de preços entre produtoras.
40 audiocasts de 30 segundos — R$ 48.000,00
5 vídeos (VTs) de 1 minuto — R$ 45.000,00
3 vídeos de 2 minutos — R$ 39.000,00
2 vídeos de 4 minutos — R$ 40.000,00
2 vídeos de 3 minutos — R$ 32.000,00
3 vídeos de 3 minutos — R$ 60.000,00
6 vídeos de 1 minuto — R$ 51.000,00
Produtoras contratadas
Entre as empresas listadas nos documentos oficiais estão:Todas contratadas dentro do mesmo pacote, sob a justificativa de custos internos da agência, conforme previsto em contrato.
Vem Ser Publicidade, Consultoria e Treinamentos Ltda
Cran Filmes Ltda
Agil Publicidade e Propaganda Ltda
G Andrade de Souza Serviços
D. Candelorio Junior
Por que os valores levantam suspeitas
Especialistas em publicidade pública ouvidos pela reportagem afirmam que:
Os valores médios por minuto de vídeo estão acima do praticado no mercado regional;
O volume financeiro é desproporcional ao tipo de peça, majoritariamente digital e institucional;
A repetição do modelo (mesmos fornecedores, mesma metodologia de preços) indica padronização de custos elevados.
Embora o uso da tabela Sinapro seja legal, ela não impede questionamentos sobre economicidade, sobretudo quando os valores crescem de forma abrupta em curto espaço de tempo.
Papel do secretário
A Ordem de Serviço nº 132 foi assinada eletronicamente por Renan Fernandes Barreto, na condição de Gestor Técnico do Contrato, conforme Portaria nº 335/2025/SUGESP. Cabe à gestão da SECOM:Ou seja, os aumentos ocorreram sob responsabilidade direta da atual gestão da Secretaria de Comunicação.
autorizar os serviços;
validar os valores;
fiscalizar a execução.
Legalidade x interesse público
Os documentos comprovam a legalidade formal dos atos administrativos. No entanto, a investigação aponta para um debate inevitável:
👉 o gasto é proporcional ao benefício entregue à sociedade?
Em tempos de contenção orçamentária, números dessa magnitude em publicidade institucional exigem transparência reforçada e escrutínio público.
Como diz a velha máxima da administração: não basta estar no papel — precisa fazer sentido no bolso do contribuinte.
Fonte: PLANTÃO RONDÔNIA
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