Indígenas apresentam 'lista tríplice' para Lula definir quem será ministro dos povos originários

Presidente eleito prometeu criar ministério para atender necessidades de nativos brasileiros; confira a lista

Porto Velho, RO
- A Articulação dos Povos Indígenas do Brasil (Apib) apresentou ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), nesta segunda-feira, uma lista tríplice indicada pelo movimento indígena para a escolha do comando do Ministério dos Povos Indígenas. Entre os nomes estão Sonia Guajajara (PSOL-SP), Joenia Wapichana e Weibe Tapeba.

"De forma democrática, encaminhamos os nomes de maior consenso para ocupar o cargo deste novo Ministério, com intuito de fortalecer as políticas indígenas e indigenista no Governo Lula. Para assegurarmos o Bem Viver e autodeterminação dos povos, o respeito às diversidades culturais e espirituais, a Justiça Social e Climática, o enfrentamento ao racismo e a garantia de plenas condições de vida, saúde, educação e sustentabilidade dos povos indígenas e de todo povo Brasileiro apresentamos nossa lista tríplice", diz o documento ao qual O GLOBO teve acesso.


Sonia Guajajara, Joenia Wapichana e Weibe Tapeba — Foto: Reprodução

Sonia Guajajara é favorita

Primeira deputada federal indígena eleita por São Paulo, Sonia Guajajara (PSOL-SP) é nome de consenso para assumir o Ministério dos Povos Originários a ser criado no governo do presidente eleito Luiz Inácio Lula da Silva.

Outros nomes como de Célia Xakriabá (PSOL-MG), Joênia Wapichana (Rede-RR), Ailton Krenak e Beto Marubo foram sondados pela equipe de transição, mas sem convite formal. O nome do coordenador jurídico da Apib, Eloy Terena, também chegou a ser sondado. 

O GLOBO apurou que a disputa ficou, num primeiro momento, entre Joênia e Sonia, mas que a coordenadora da Articulação dos Povos Indígenas do Brasil (Apib) levou vantagem.

- A disputa estava entre a Sonia e a Joênia. E quem tem mais chances é Sônia - diz uma fonte que acompanha os trabalhos da equipe de transição de perto.

Krenak apoiou o nome de Joênia enquanto Beto Marubo, da União dos Povos Indígenas do Vale do Javari, disse não ter pretensões de assumir o posto nesse momento.

O nome de Sonia ganhou força por ter visibilidade e grande reconhecimento da comunidade internacional, além de ser mulher, um dos motivos que ensejaram o apoio de Janja, que é admiradora de seu trabalho e ficou muito sensibilizada quando a liderança foi perseguida pela gestão da Funai no governo Bolsonaro.

Em maio, Sonia Guajajara foi incluída na lista das 100 pessoas mais influentes da revista Time, publicada nos EUA, ao lado do cientista Túlio de Oliveira, um dos responsáveis pela identificação da variante ômicron do vírus da covid-19.

Pela primeira vez, duas mulheres indígenas foram eleitas como deputadas federais no Brasil. Sonia conquistou o marco em São Paulo com mais de 156 mil votos, enquanto Célia Xakriabá recebeu 101 mil e ganhou em Minas Gerais.

Antes delas, apenas dois indígenas haviam sido eleitos a este cargo na história do país: Mário Juruna (PDT-RJ), em 1982, e Joênia Wapichana (Rede-RR), em 2018. Agora, 186 concorrentes ao Congresso declararam ao Tribunal Superior Eleitoral (TSE) que são indígenas, um aumento de 40% em comparação ao último pleito.

Uma das preocupações do movimento indígena é "perder" a vaga de Sonia no Congresso, caso ela seja confirmada ministra. A ideia, segundo líderes do movimento indígena, é que Sonia "deixe a pasta azeitada" no primeiro ano de governo Lula e depois volte para ocupar sua cadeira na Câmara dos Deputados.


Fonte: O GLOBO

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