México suspende cúpula da Aliança do Pacífico após Congresso peruano proibir Castillo de viajar

López Obrador não descarta uma viagem ao país na primeira semana de dezembro para entregar a presidência temporária do bloco ao peruano

Porto Velho, RO
- O presidente do México, Andrés Manuel López Obrador, suspendeu a cúpula da Aliança do Pacífico, marcada para esta semana no país, depois que o Congresso peruano impediu a presença do presidente Pedro Castillo, após impedi-lo de deixar o país, pela terceira vez em menos de três meses. O bloco regional, criado formalmente em 2012, também é formado pela Colômbia e pelo Chile. Os líderes da Costa Rica e do Equador, interessados ​​em aderir ao mecanismo, haviam sido convidados para a cúpula que aconteceria na quinta e na sexta-feira na Cidade do México.

Durante o encontro, o México deveria entregar ao Peru a presidência interina do bloco. López Obrador disse nesta terça-feira que não descarta uma viagem ao país na primeira semana de dezembro.

— A reunião da Aliança do Pacífico foi suspensa porque o presidente do Peru não foi autorizado a comparecer e cabe a ele (receber) a presidência (temporária) — disse López Obrador em sua coletiva a jornalistas matinal. — Então, se ele não vier, a quem eu entrego?

Castillo, por sua vez, elogiou a medida:

— Em nome dos trabalhadores e do povo peruano, saúdo a decisão firme, correta e irrepreensível do irmão Presidente da República do México, Andrés Manuel López Obrador, que acaba de tomar a decisão de vir ao Peru — declarou Castillo durante uma visita a um bairro marginal de Lima. — Gostaria que os países irmãos, os países que fazem parte da Aliança do Pacífico estivessem aqui, sejam todos bem-vindos.

No mês passado, o presidente mexicano instou o Congresso peruano a autorizar a saída de Castillo para participar da cúpula. Mas, na quinta-feira passada, a permissão foi negada no parlamento por 58 votos contrários e 51 a favor, além de duas abstenções.

É a terceira vez que Castillo é impedido pelo Congresso, controlado pela oposição, de deixar o país. No início de agosto, ele não conseguiu participar da posse de Gustavo Petro, na Colômbia. Em outubro, quando o presidente pediu permissão para visitar o Papa Francisco no Vaticano, também teve seu pedido negado.

Representantes da oposição argumentam que os pedidos foram negados por medo de que o presidente fugisse do país devido às investigações por suposta corrupção, que também envolvem pessoas próximas a ele.

A última recusa, porém, seria uma retaliação ao uso da questão da confiança — prerrogativa constitucional do Executivo peruano — pelo presidente do Conselho de Ministros, Aníbal Torres, para revogar a lei que limita a reforma da Constituição por meio de referendo. Sem a lei, promovida pelo Força Popular, principal partido opositor, bastaria que os cidadãos coletassem 2,5 milhões de assinaturas para realizar um referendo sobre a Carta Magna e estabelecer uma Assembleia Constituinte, uma das principais promessas de campanha de Castillo.

Castillo, no poder desde julho de 2021 para um mandato de cinco anos, já enfrentou duas tentativas de impeachment no Congresso, dominado pela direita. Há dez dias, uma comissão do Legislativo aprovou recomendação para a abertura de um novo processo de impeachment. O processo é relacionado a uma entrevista dada à CNN em espanhol, na qual o presidente não descartou facilitar o acesso da Bolívia ao mar se a população decidir desta forma, através de consulta popular. Os deputados o acusam de “traição à pátria”.

O Congresso também examina a suspensão de Castillo para que ele possa ser processado pelos supostos crimes de organização criminosa, tráfico de influência e conluio relacionados a contratos públicos. O presidente rejeita a denúncia, feita pelo Ministério Público em outubro, e afirma ser vítima de uma tentativa de “golpe de Estado”, com o objetivo de afastá-lo do poder.

Ele pediu à Organização dos Estados Americanos (OEA) a ativação dos artigos 17 e 18 da Carta Democrática Interamericana. No domingo, uma missão da OEA chegou ao país. Até quarta-feira, o grupo, composto pelos chanceleres de Argentina, Equador, Guatemala, Paraguai, Costa Rica e Belize, além da vice-ministra de Assuntos Multilaterais da Colômbia, fará reuniões com lideranças do Congresso, do Judiciário e da sociedade civil, além do próprio Castillo.


Fonte: O GLOBO

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