Equipes de resgate buscam sobreviventes após terremoto que matou ao menos 268 na Indonésia

Segundo números desta terça, há ao menos 151 pessoas desaparecidas e mil feridos; deslizamentos de terra complicam resposta ao desastre

Porto Velho, RO -
As equipes de resgaste fazem nesta terça-feira uma busca frenética por sobreviventes na cidade de Cianjur, na ilha indonésia de Java, epicentro de um terremoto de 5,6 graus no dia anterior. O número atualizado de mortos chega a 268, com ao menos 161 desaparecidos e mais de mil feridos na região densamente povoada, afirmam as autoridades locais, alertando que as cifras podem subir pois acredita-se que ainda há um grande número de pessoas soterradas.

Em uma entrevista coletiva, o general Suharyanto (é comum que as pessoas não tenham sobrenomes na Indonésia), disse que 22 mil casas foram destruídas e mais de 58 mil pessoas precisaram deixar suas casas, conforme os danos causados pelo tremor da véspera ficam mais claros. Com uma profundidade de 10 km, considerada rasa, o tremor teve epicentro a cerca de 110 quilômetros ao sudoeste de Jacarta, fazendo os arranha-céus da capital tremerem.

Terremoto sacudiu a ilha de Java, a mais populosa da Indonésia — Foto: Reprodução

Segundo Suharyanto, ao menos 122 corpos já foram identificados, afirmando que a escala foi piorada por deslizamentos de terra que soterraram vilarejos, destruíram estradas e dificultam a chegada ao principal hospital da região. Em um abrigo em Ciherang, perto de Cianjur, as pessoas tentavam entender a tragédia sentadas:

— Gritei e pedi ajuda, mas ninguém veio. Tive que cavar para nos libertar — disse à AFP Nunung, de 37 anos, que conseguiu retirar o filho de 12 anos dos escombros de sua casa. — Não restou nada. Não há nada que possa ser salvo, exceto as roupas que estamos vestindo — completou a mulher, com o rosto ainda coberto de sangue.

O governador Ridwan Kamil disse que a maior parte dos mortos são crianças, que estavam em aula quando o tremor aconteceu por volta de 13h21 (3h21 no Brasil) — segundo a ONG Save the Children, ao menos 50 escolas foram afetadas. Segundo a Agência Nacional de Resposta a Desastres, entretanto, ainda é cedo demais para saber ao certo, afirmando que ainda aguardam os hospitais mandarem dados sobre o perfil das vítimas.

— O quarto desabou e minhas pernas ficaram enterradas nos escombros. Tudo aconteceu tão rápido — disse à AFP Aprizal Mulyadi, estudante de 14 anos que estudava em um dos vários internatos islâmicos afetados e só conseguiu se salvar graças à ajuda de um amigo que morreu soterrado logo depois. — Fiquei arrasado ao vê-lo preso, mas não consegui ajudá-lo porque minhas pernas e costas estavam feridas.

Enquanto alguns funcionários das equipes de resgate retiravam cadáveres dos edifícios destruídos, outros procuravam sobreviventes e tentavam chegar às áreas de difícil acesso devido aos bloqueios nas estradas. O socorrista Dimas Reviansyah explicou que as equipes utilizam motosserras e escavadeiras para abrir caminho entre árvores caídas e escombros até os locais onde acreditam que possa haver vítimas:

— Não dormi desde ontem, mas tenho que continuar porque há vítimas que não foram encontradas — disse ele à AFP.

A destruição foi agravada por uma onda de 62 tremores secundários, com magnitudes de 1,8 a 4 graus na cidade de 175 mil habitantes. Várias famílias aguardam a liberação dos corpos de seus parentes para que possam prosseguir com os rituais islâmicos de sepultamento. O presidente Joko Widodo visitou a região nesta terça.

Até o início do dia, segundo a agência estatal de energia Antara, 89% da rede elétrica da cidade já havia sido restabelecida. Durante a noite, contudo, muitas pessoas acamparam ao ar livre na escuridão quase total, cercadas por escombros, vidros quebrados e grandes pedaços de concreto.

Parte do Círculo de Fogo do Pacífico, a Indonésia é um dos países mais vulneráveis do planeta a atividades sismológicas, na interseção das placas tectônicas Indo-Australiana, do Mar das Filipinas, Carolina e Sonda.

O país foi epicentro do terremoto de 9,1 graus que, em 26 de dezembro de 2004, deu origem às tsunamis na costa da ilha de Sumatra que mataram quase 225 mil pessoas em vários países às margens do Índico. Só em solo indonésio, estima-se que tenham morrido mais de 165 mil pessoas, uma das catástrofes naturais mais letais da História.

Em 2018, um terremoto de 6,9 graus deixou mais de 550 mortos na ilha de Lombok e na vizinha Sumbawa. No mesmo ano, outro tremor, este de magnitude 7,5, causou uma tsunami que assolou Palu, na ilha de Sulawesi, e causou a morte ou o desparecimento de 4,3 mil pessoas.

Em 2006, um tremor com magnitude 6,3 no centro da ilha de Java deixou 6 mil mortos e dezenas de milhares de feridos.


Fonte: O GLOBO

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