Dólar cai, mas Petrobras e BB afundam na Bolsa após eleição de Lula

Investidores esperam pistas sobre a economia e reação de Bolsonaro ao resultado

Porto Velho, RO - Indicadores do mercado financeiro alternavam-se entre altos e baixos nesta segunda-feira (31), dia seguinte ao resultado da eleição que confirmou Luiz Inácio Lula da Silva (PT) como o primeiro brasileiro eleito três vezes para a Presidência da República.

O petista venceu o segundo turno da disputa neste domingo (30) ao derrotar o atual chefe do Executivo, Jair Bolsonaro (PL).

Por volta das 13h40, depois de ter começado o dia avançando acima dos R$ 5,40, o dólar comercial à vista caía 1,20%, cotado a R$ 5,2380.

Na Bolsa de Valores brasileira, porém, o indicador de referência Ibovespa perdia 0,67%, recuando aos 113.774 pontos. Mais cedo, havia avançado perto da casa dos 116 mil pontos.

Apesar da valorização da maior parte das ações nesta sessão, principalmente as que pertencem a empresas potencialmente beneficiadas por políticas públicas voltadas para a população de baixa renda, uma impressionante queda nos preços dos ativos de companhias controladas pelo governo puxava o mercado para baixo.

Os papéis mais negociados da Petrobras afundavam 9%, enquanto as ações do Banco do Brasil despencavam 6,26%.

Analistas do mercado financeiro pontuaram que o desempenho dos indicadores financeiros mais importantes para medir a confiança de investidores na economia —Ibovespa, dólar e juros— dependerá das indicações do presidente eleito sobre a condução da economia e, além disso, da reação de Bolsonaro e de seus apoiadores à derrota.

"Existe um clima de incerteza porque o mercado espera a composição da base governista", afirmou Cristiane Quartaroli, economista do Banco Ourinvest.
Entre as principais preocupações de investidores com o governo de esquerda está a possibilidade de aumento dos gastos públicos.

"Há um temor quanto ao futuro da economia do país dado que, obviamente, a [expectativa de] revogação do teto de gastos aumentaria o risco fiscal", comentou Jansen Costa, sócio da Fatorial Investimentos.

Lula e Bolsonaro já demonstraram desgosto quanto ao teto de gastos, que limita o crescimento dos gastos públicos, sendo que o atual presidente afrouxou a regra para conseguir ampliar os gastos com benefícios sociais meses antes de iniciar sua campanha para tentar a reeleição.

Indicações de nomes nos quais o mercado confia para a condução da economia seriam o principal antídoto para o nervosismo dos investidores, segundo Rodrigo Cohen, analista da Escola de Investimentos, repetindo o nome do ex-ministro Henrique Meirelles como um dos preferidos do mercado.

"O mercado abriu nervoso. Se Lula começar a anunciar bons nomes da equipe, isso pode ser positivo para a Bolsa. Caso indique Meirelles, a Bolsa pode ir para cima", comentou.

Cohen também ressaltou que o silêncio do atual presidente sobre a decisão manifestada pela população nas urnas torna o ambiente para os negócios ainda mais tenso. "Ainda não tivemos nenhuma fala oficial de Bolsonaro", disse.

No primeiro discurso como presidente eleito, Lula fortaleceu a perspectiva de um governo de coalizão, com um futuro mais estável para o Brasil, segundo os economistas Arminio Fraga, ex-presidente do Banco Central, e Edmar Bacha, um dos pais do Plano Real.

Investidores ampliaram na última sexta-feira (28) as vendas de ações com grande peso na Bolsa de Valores, enquanto reforçaram amplamente compras de papéis baratos ligados ao varejo e educação.

Essa troca de ativos levou o Ibovespa a fechar o dia com ligeira queda de 0,09%, aos 114.539 pontos, acumulando perda semanal de 4,5%, na contramão da recuperação dos principais índices no exterior.

No último dia de negociações antes do segundo turno das eleições presidenciais, o movimento no mercado doméstico foi interpretado por analistas como uma tentativa de investidores de incluírem em suas carteiras ações com maior potencial de valorização em caso de vitória de Lula.


Fonte: Folha de São Paulo

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