Campanhas de Lula e Bolsonaro ampliam ‘tropas’ de economistas. Veja quem são

Nomes conhecidos dividem espaço com 'novatos’. Guilherme Mello, que já havia liderado programa de Haddad, vira porta-voz das propostas petistas. Presidente da Caixa integra equipe de Bolsonaro

Porto Velho, RO - Nesta eleição há uma disputa velada por angariar o maior número de apoios de economistas. Para fortalecer a corrida eleitoral no segundo turno, novos nomes passaram a dividir o debate de propostas com quadros que já assessoram os dois candidatos à Presidência da República.

A campanha do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) se cercou de uma lista eclética de economistas na elaboração de seu plano de governo e nas conversas com o mercado. Ao mesmo tempo em que aglutinou nomes historicamente ligados ao partido e à “Escola de Campinas”, o petista passou a contar com a ajuda de novos aliados com visões mais liberais sobre a economia.

O presidente e candidato à reeleição Jair Bolsonaro (PL), por sua vez, aposta em nomes que o ajudaram na eleição de 2018, especialmente o ministro Paulo Guedes, mas também em novos conselheiros, muitos deles com cargos no governo, mas com influência crescente no Planalto.


Gabriel Galípolo, ex-presidente do Banco Fator, é cotado para assumir a presidência do BNDES em um eventual governo Lula — Foto: Ana Paula Paiva/Valor Econômico

Na equipe de Lula, o principal rosto econômico da campanha petista hoje é Guilherme Mello. Economista de 39 anos, professor da Universidade de Campinas (Unicamp), Mello já havia liderado o programa de Fernando Haddad na campanha de 2018. Agora, tem sido o porta-voz da plataforma lulista ao Palácio do Planalto, participando de entrevistas e debates.


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Nessas conversas, ele defende que o partido só apresente os detalhes da sua regra fiscal em um eventual governo, dado que seria preciso dialogar com os parlamentares eleitos, além de conhecer mais detalhes sobre as contas públicas. Para ele, a nova regra teria de compatibilizar sustentabilidade fiscal, recuperação do investimento público e aumento dos gastos sociais.

Cotado para o BNDES

Uma novidade no partido é a participação de Gabriel Galípolo na elaboração das propostas petistas. Tendo presidido o Banco Fator até 2021, Galípolo, hoje com 39 anos, é professor da UFRJ, pesquisador do Centro Brasileiro de Relações Internacionais (Cebri) e conselheiro da Fiesp.


O presidente Jair Bolsonaro e o ministro da Economia, Paulo Guedes — Foto: Cristiano Mariz/Agência O Globo


Ele tem atuado principalmente na análise das concessões e parcerias público-privadas, além de defender a criação de garantias soberanas para investimentos privados em infraestrutura. Com esse currículo, é um dos cotados para a presidência do BNDES num eventual governo petista.

Nomes conhecidos do partido também fazem parte do dia a dia da campanha, como a ex-ministra Miriam Belchior, que já chefiou a pasta do Planejamento na gestão de Dilma Rousseff. Com ela, as ideias de ampliar investimentos públicos, nos moldes do antigo Programa de Aceleração do Crescimento (PAC), que foi liderado pela economista na gestão Lula.

No campo da energia, quem fala sobre as propostas é o senador Jean Paul Prates (RN), especialista no setor e visto como um nome provável para a Petrobras, além de Maurício Tolmasquim — especialista em energia elétrica que também já atuou em governos petistas.

Prates faz parte da lista de políticos que falam sobre economia na campanha. Lula não pretende antecipar quem será seu ministro da Fazenda num eventual governo, mas traçou um perfil que deseja: um político capaz de negociar com o Congresso.

Candidatos ao Ministério da Economia

O apoio declarado de economistas pesos-pesados como Arminio Fraga, Pérsio Arida e Henrique Meirelles — que na semana que vem participará de um ato com o ex-presidente, de quem foi presidente do Banco Central — acabou agregando novos interlocutores ao time petista.

Arida e André Lara Resende (integrantes da equipe que criou o Plano Real), inclusive, têm colaborado com o ex-governador Geraldo Alckmin (PSB), vice na chapa de Lula, para a campanha do petista.


O ex-presidente do Banco Central Arminio Fraga declarou voto em Lula — Foto: CJPress / Agência O Globo

Do lado de Bolsonaro, Guedes, que foi fiador da campanha em 2018 e se tornou ministro da Economia, agora participa ativamente da campanha à reeleição. Quem também entrou de cabeça na campanha e é ouvido com frequência por Bolsonaro é Adolfo Sachsida, ex-assessor de Guedes e atual ministro de Minas e Energia. Sachsida virou ministro com o objetivo de reduzir o preço dos combustíveis, o que já foi uma dor de cabeça para o presidente e era visto como um problema para a campanha.

A presidente da Caixa, Daniella Marques, que foi assessora de Guedes, também tem se engajado na campanha à reeleição de Bolsonaro. Enquanto em 2018 ela não fazia parte diretamente do time bolsonarista, agora transita com facilidade no Palácio do Planalto e entre os governistas. Ela assumiu o cargo em julho deste ano, depois da demissão de Pedro Guimarães, acusado de assédio sexual e moral contra funcionárias do banco.

Antes com atuação praticamente apenas nos bastidores, Daniella passou a fazer palestras e participar de eventos quase que diariamente com empresários e lideranças, além de ter uma presença massiva nas redes sociais. Ela ainda vem anunciando medidas recorrentemente após o primeiro turno.

A Caixa, por exemplo, está cuidando do consignado do Auxílio Brasil, que já injetou quase R$ 2 bilhões na economia às vésperas da eleição. Também veio de Daniella o anúncio da antecipação dos calendários de pagamento de benefícios sociais.


Presidente do Banco Central, Roberto Campos Neto: maior interlocução com a campanha de Bolsonaro — Foto: Agência Brasil

Campos Neto ganha força na interlocução

Ex-executiva do mercado financeiro, ela já é mencionada como possível substituta de Paulo Guedes num eventual novo governo Bolsonaro, caso o ministro não fique no cargo.

Quem também volta e meia é apontado para a cadeira de Guedes é o presidente do Banco Central, Roberto Campos Neto. Ele não participou ativamente da campanha de 2018, mas agora tem se tornado um interlocutor mais frequente de Bolsonaro em temas econômicos.

O chefe da autoridade monetária, por exemplo, foi ouvido pelo presidente durante toda a formulação da PEC Eleitoral, que aumentou temporariamente o valor dos benefícios sociais durante o período eleitoral e criou os auxílios a caminhoneiros e taxistas.

Campos Neto ainda tem recebido mais delegações de investidores, funcionando também como uma espécie de porta-voz informal da agenda econômica do governo, apesar da autonomia do BC.


Fonte: O GLOBO

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