Após reveses em Chile e Peru e possível derrota na Colômbia, direita internacional aposta no argentino Milei

Autodefiinido como 'anarcocapitalista' e defensor de redução do Estado, deputado é hoje o político com melhor imagem no país e já está em campanha para as eleições presidenciais de 2023

Porto Velho, RO — Com a esquerda como favorita na eleição presidencial colombiana, a direita latino-americana e global passou a observar com atenção e interesse o crescimento vertiginoso da direita argentina. 

Hoje, recentes pesquisas realizadas por centros acadêmicos de prestígio, como a Universidade San Andrés, mostram que o político com melhor imagem da Argentina é o deputado Javier Milei, eleito no ano passado à frente do partido Avança Liberdade e já em campanha para as presidenciais de 2023.

A direita perdeu eleições presidenciais importantes recentemente, no Chile e no Peru. Um revés eleitoral na Colômbia consolidaria um cenário regional adverso, que elevará ainda mais as expectativas sobre o resultado da eleição presidencial brasileira e, no ano que vem, da argentina.

Semana passada, Milei participou de uma live com o deputado Eduardo Bolsonaro, já assistida no canal de YouTube do filho do presidente Jair Bolsonaro por quase 30 mil pessoas. 

Na conversa, que durou pouco mais de uma hora, Milei e Eduardo falaram sobre a trajetória do deputado argentino e a necessidade de se unirem, em palavras do deputado brasileiro, para “derrotar o comunismo, que em cem anos assassinou mais de cem milhões de pessoas”.

Também de olho no fenômeno Milei, o Foro Madri está avaliando organizar um encontro internacional da direita em Buenos Aires este ano. O anfitrião do evento, claro, seria o deputado argentino, confirmaram seus assessores.

— Sem um contexto regional que acompanhe, Milei sabe que será mais difícil executar seu plano de governo. Grande parte do sucesso das reformas que ele pretende implementar dependerá do contexto regional — afirma Álvaro Zicarelli, assessor internacional do deputado já confirmado candidato à Presidência da Argentina.

Bolsonaro e Trump

Milei se define como anarcocapitalista, propõe uma drástica redução do Estado, é contra a legalização do aborto. No cenário internacional, identifica-se com Bolsonaro, o ex-presidente americano Donald Trump, os partidos Vox e Popular, da Espanha, o Partido Nacional, do Uruguai, e o Partido Republicano, do Chile, chefiado pelo ex-candidato presidencial José Antonio Kast.

Na visão de seu assessor internacional, a evolução dos governos de Gabriel Boric, no Chile, e Pedro Castillo, no Peru, “ajudam a despertar consciências adormecidas sobre o que poderia acontecer em seus países” na hora de votar, em referência aos eleitores colombianos, brasileiros e argentinos.

A próxima batalha é a Colômbia, que vai às urnas no próximo dia 29 de maio. O Foro Madri distribuiu nas últimas semanas um documento de 44 páginas sobre a biografia do candidato esquerdista colombiano Gustavo Petro, que fala sobre seu passado guerrilheiro, supostos vínculos com o narcotráfico, amizade com o venezuelano Hugo Chávez e, principalmente, sobre o que é considerado o perigo do avanço do comunismo na região.

Reuniões com diplomatas

No Brasil e na Argentina, a expectativa é grande. Bolsonaro e Milei não conhecem o candidato da centro-direita Federico Gutiérrez, mas ambos esperam que consiga derrotar Petro. Hoje, a aliança entre Brasil e Colômbia é essencial na região para o governo Bolsonaro, e tanto o presidente brasileiro como o deputado argentino já imaginam um triângulo de direita latino-americano que inclua a Colômbia, a partir de uma eventual eleição de Milei na Argentina.

— Com o presidente brasileiro existe uma admiração pela origem outsider de Bolsonaro. Ambos são, essencialmente, pragmáticos — frisa o assessor do deputado argentino.

Nas últimas semanas, Milei se reuniu com vários embaixadores estrangeiros em Buenos Aires, entre eles os de Brasil, Estados Unidos, Índia e Japão. Sua agenda para os próximos meses inclui outros encontros com diplomatas do Uruguai e de Israel, entre outros, além de militares reformados. Zicarelli não descarta uma viagem ao Brasil, ainda em 2022, antes da realização das eleições brasileiras.


Fonte: O GLOBO

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