Atual domínio de brasileiros na Libertadores é maior do que o de ingleses ou espanhóis na Champions

Mudança no formato, com torneio disputado nos dois semestres, é ponto de virada para aumento do desequilíbrio

Porto Velho, RO - Quando a bola rolar, às 19h15, para Caracas x Athletico e Olimpia x Cerro Porteño, terá sido dada a largada para a fase de grupos da Libertadores. Para muitos torcedores, é quando o torneio de fato começa. 

Para outros, a disputa já se desenrola desde fevereiro, com as eliminatórias preliminares. O que parece ser cada vez mais consenso é como o campeonato irá terminar. O desequilíbrio de forças entre países cresceu tanto nos últimos anos que já não é exagero dizer que para argentinos e, principalmente, brasileiros estas seis rodadas funcionam como aquecimento para o mata-mata.

Se na fase de grupos todos os membros da Conmebol estão representados de acordo com seu peso dentro do futebol sul-americano, à medida que a Libertadores afunila a gangorra pesa. Na lista dos últimos cinco campeões o desequilíbrio é evidente: foram quatro conquistas de brasileiros e uma argentina.

Mas esse desequilíbrio começa antes. A partir das oitavas, são 15 duelos até a definição do título. Como cada um deles envolve duas equipes, ao todo são 30 “vagas”. Levando em conta os últimos cinco anos, foram 150. 

Destas, 64 foram preenchidas por brasileiros — 42,6% do total. Os clubes argentinos vêm em segundo, mas bem abaixo: 48 presenças em duelos decisivos. Equivale a 32%. Ou seja: juntos, os dois países correspondem a 74,6% dos times que disputam os jogos de mata-mata.



Equador e Paraguai, com 8,6% cada, lideram o grupo restante, que inclui ainda Uruguai, Bolívia, Chile e Colômbia. Peru e Venezuela não tiveram nenhum representante na fase decisiva nos últimos cinco anos.

Esta assimetria é maior do que na Europa, onde o futebol também apresenta uma concentração de forças em poucos países. Nas últimas cinco edições completas da Liga dos Campeões mais a atual, em andamento, foram 174 “vagas” nos duelos decisivos. Destas, 47 (27%) ficaram com ingleses, 41 (23,5%) com espanhóis e 27 (15,5%) com alemães.

São também estas as três nacionalidades campeãs no período. Foram duas taças para os clubes da Premier League, duas para os da La Liga e uma para a Bundesliga. Juntas, as três ligas representam 66% da presença nos confrontos das oitavas até a final. Uma concentração menor do que a de Brasil e Argentina na América do Sul.

Tanto na Liga dos Campeões quanto na Libertadores, este desequilíbrio acompanha o poder econômico dos clubes. A questão é que, na América do Sul, a distância entre a força econômica do futebol brasileiro e a dos demais países é bem maior do que entre Inglaterra e Espanha e o restante da Europa.

É nítido o momento em que o fator financeiro passou a pesar tanto. Quando a Libertadores passou a ser disputada ao longo de todo o ano, os clubes dos demais países se tornaram meros coadjuvantes. Entre 2012 e 2016, as cinco últimas edições no formato antigo, o cenário foi diferente. 

A começar pelos títulos: dois brasileiros, dois argentinos e um colombiano. Já os confrontos das oitavas até a final tiveram 27,3% de presença brasileira e 26% argentina, o que dá pouco mais que a metade: 53,3%.

Outro sinal de perda de equilíbrio: enquanto as finais de 2012 a 2016 contaram com clubes de Brasil, Argentina, Paraguai, Colômbia, Equador e México, as cinco decisões seguintes só tiveram times dos dois primeiros países — sendo as duas mais recentes monopolizadas pelos brasileiros. Números que podem deixar torcedores de Flamengo, Palmeiras, Corinthians, Atlético-MG, Bragantino, América-MG e Athletico ainda mais otimistas.


Fonte: O GLOBO

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