Análise: Brasil fecha Eliminatórias melhor coletivamente e menos dependente de Neymar

Goleada sobre a Bolívia coroa campanha recorde e Tite deixa equipe cada vez mais intensa com novas alternativas

Porto Velho, RO -
Goleada, desempenho convincente e recorde. Assim o Brasil se despediu — ao menos por enquanto, já que ainda falta o jogo atrasado contra a Argentina — das Eliminatórias da Copa do Mundo. 

O resultado tranquilo de 4 a 0 sobre a Bolívia, na altitude de La Paz, levou a equipe de Tite a alcançar 45 pontos em 17 jogos e bater o novo recorde da competição, que pertencia à Argentina, com 43 pontos em 2002. A campanha também supera o aproveitamento da própria seleção para o Mundial da Rússia, em 2018, quando o Brasil fez 41 pontos em 18 jogos.

Esta foi a terceira goleada por 4 a 0 seguida da seleção, que antes havia aplicado o placar no Paraguai, em fevereiro, e no Chile, semana passada. Lucas Paquetá, Richarlison, duas vezes, e Bruno Guimarães fizeram os gols.

Além dos números, o desempenho em escalada de crescimento anima para a reta final de preparação para o Qatar. Classificada desde a 13° rodada, a equipe agora fará um polimento com amistosos, três em junho e dois setembro, todos fora do país: Seleções da Ásia, da África e da América do Norte estão nos planos. Europeias, ainda não. 

Isso sem falar no jogo remarcado contra a Argentina, que servirá também como amistoso, possivelmente disputado na Austrália. Na sexta-feira, o Brasil saberá os adversários na Copa do Mundo em sorteio em Doha.

Menor dependência

Sem Neymar e Vinícius Júnior, suspensos, uma seleção brasileira modificada manteve o padrão de jogo elevado mesmo na altitude, e soube acelerar na hora certa contra uma frágil Bolívia. A estrutura ofensiva funcionou a partir dos dois volantes adiantados, Bruno Guimarães e Paquetá. Fabinho fazia a contenção, mas também teve bom acerto nos passes.

Com o domínio do meio-campo, o Brasil controlou as ações, teve profundidade com Antony, força com Richarlison e criatividade com Philippe Coutinho e Lucas Paquetá. A participação coletiva, com o incremento de novas peças, tem tornado a seleção cada vez mais intensa e menos dependente de Neymar.
Antony e Bruno Guimarães são destaques

Mais uma vez, Antony chamou atenção de forma positiva pela função tática precisa. Foi o motorzinho da equipe no desafogo para o ataque e ainda fechou bem as poucas investidas pelo lado esquerdo da Bolívia. Bruno Guimarães cumpriu papel parecido ao marcar bem e sair com velocidade. Foi assim que tabelou com Lucas Paquetá para o companheiro abrir o placar.

Antes de o primeiro tempo acabar, Antony arrancou e achou Richarlison em toque que cruzou a área. Antony acentuou a disputa com Raphinha pela ponta direita após as últimas atuações . O jogador do Leeds acabou cortado, com Covid-19. Já Bruno Guimarães amadurece a vaga em meio a concorrência pesada no meio.


Martineli aproveita chance

O time manteve alta rotação mesmo quando Tite aproveitou para fazer outras experiências no segundo tempo. Em nenhum momento o Brasil se desorganizou e foi ameaçado. Henry Vaca, que joga pela ponta direita, foi quem melhor se criou em lances contra Coutinho e Telles, mas sem perigo. 

Embora por isso a seleção tenha atacado pouco por aquele lado. Foi Coutinho o primeiro a apresentar desgaste e deixar o campo na altitude.

Martinelli teve oportunidade e deu mais velocidade ainda ao ataque, justamente do lado esquerdo. Em roubada de bola, arrancou, Paquetá viu Bruno Guimarães entrar na área e tocou por cima, para o companheiro arrematar de primeira no ângulo. 

Novato, Martinelli ainda teve oportunidade de marcar em jogada individual muito plástica, mas a finalização foi rente à trave. Nos minutos finais, Richarlison ampliou em nova jogada de Bruno Guimarães.


Fonte: O GLOBO

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