
Democrata de 37 anos derrotou o republicano Ken Paxton e conquistou uma vaga no Senado pelo Texas, estado que não elegia um senador do partido desde 1988. Educador e seminarista, James Talarico enfrentou ataques de Donald Trump e Elon Musk durante a campanha. © Getty
PORTO VELHO, RO - Nome em ascensão no Partido Democrata, o educador e seminarista James Talarico, 37, conseguiu o que parecia inimaginável no Texas até há pouco tempo: elegeu-se senador nas midterms desta terça-feira (3), de acordo com projeções das redes CBS e NBC. A última vez que esse estado, na fronteira com o México, elegeu um senador democrata foi há quase quatro décadas, em 1988.
A nova estrela dos democratas derrotou o republicano e procurador-geral Ken Paxton. As pesquisas de intenção de voto mostravam Talarico à frente, mas com margem estreita, no estado que concentra uma das maiores populações de origem latina dos Estados Unidos.
Talarico nasceu e foi criado no Texas e foi professor de ensino médio em uma escola pública local. É cristão e tem a religião como parte central de seus discursos. Em 2018, aos 29 anos, foi eleito deputado estadual e, desde então, foi reeleito três vezes consecutivas. Agora, embarca para Washington.
No Legislativo local, chegou a dizer que "Deus é não binário", pois "Deus é tanto masculino quanto feminino, e tudo mais". Foi muito criticado, mas insiste na declaração sempre que é questionado sobre o tema. Moderado, propõe uma leitura mais aberta do cristianismo.
O sucesso de sua campanha despertou temor entre os republicanos, a ponto de o trilionário Elon Musk, o homem mais rico do mundo, doar US$ 158 milhões para grupos que apoiavam a campanha de Ken Paxton. Essa já configura uma das maiores doações individuais feitas na história do país.
Musk vive no Texas e tem uma ampla rede de empresas sediadas no estado. Lá estão a Tesla, sua montadora de carros elétricos, e a SpaceX, de transporte espacial. No X, rede social que ele também comprou em 2022, fez ataques constantes a Talarico. Disse que o texano era um "lunático de esquerda", que iria acabar com a democracia e transformar todas as crianças em transgêneros.
O senador eleito já fez diversas declarações em defesa dos direitos das pessoas trans e também falou publicamente sobre os privilégios que as pessoas brancas detêm em relação aos negros.
O presidente Donald Trump fez, no mês passado, um vídeo de mais de cinco minutos contra Talarico. Disse, entre outras coisas, que ele ofende Deus. "Há algo de errado com ele, o James Talafreako", disse o presidente, mudando o nome de Talarico para, de forma pejorativa, chamá-lo de esquisito ou excêntrico.
O democrata é mais um dos jovens membros em ascensão no partido que se opõem aos enormes montantes de dinheiro de bilionários e milionários que são despejados em campanhas políticas pelo país. Em uma de suas últimas manifestações públicas antes desta terça-feira, ele disse que "essa eleição é uma batalha entre os poderes estabelecidos e os poderes que deveriam estar no comando".
E continuou: "Os poderes estabelecidos escolheram seu candidato. Eles já pagaram por Ken Paxton. Eu quero ser um senador para todo texano que não pode pagar por um."
Talarico é originário de um dos estados com maior comunidade de origem latina nos EUA. Os latinos, tanto os imigrantes que nasceram em países de língua espanhola e se naturalizaram americanos quanto os que já nasceram nos EUA, filhos de pais imigrantes, compõem 41% da população texana, cerca de 13 milhões de pessoas. Em primeiro lugar está a Califórnia, que detém a mesma porcentagem de latinos, mas um número absoluto maior, em torno de 16 milhões.
O agora senador eleito não é latino, mas já disse, em declarações públicas, que sente nitidamente a influência da cultura latina e a respeita, dado que toda a sua família, por oito gerações, cresceu no Texas. O tema é importante porque, nessas midterms, o voto da população latina voltou a apoiar, em maior proporção, os democratas.
Ainda que não exista um voto uníssono, dado que essa parcela da população é diversa e, portanto, tem interesses variados, Trump havia conseguido conquistar uma histórica maioria entre eles ao se eleger para o segundo mandato. Devido à alta no custo de vida, essa parcela diminuiu seu apoio ao presidente nessas midterms.
Entre outras coisas, Talarico defende a revogação das tarifas econômicas que Donald Trump impôs a dezenas de países, entre eles os da América Latina, "que estão tornando tudo, da comida às roupas, mais caro". Propõe também aumentar o salário mínimo para US$ 15 por hora (hoje está em US$ 7,25) e diminuir os impostos cobrados da classe média.
A nova estrela dos democratas derrotou o republicano e procurador-geral Ken Paxton. As pesquisas de intenção de voto mostravam Talarico à frente, mas com margem estreita, no estado que concentra uma das maiores populações de origem latina dos Estados Unidos.
Talarico nasceu e foi criado no Texas e foi professor de ensino médio em uma escola pública local. É cristão e tem a religião como parte central de seus discursos. Em 2018, aos 29 anos, foi eleito deputado estadual e, desde então, foi reeleito três vezes consecutivas. Agora, embarca para Washington.
No Legislativo local, chegou a dizer que "Deus é não binário", pois "Deus é tanto masculino quanto feminino, e tudo mais". Foi muito criticado, mas insiste na declaração sempre que é questionado sobre o tema. Moderado, propõe uma leitura mais aberta do cristianismo.
O sucesso de sua campanha despertou temor entre os republicanos, a ponto de o trilionário Elon Musk, o homem mais rico do mundo, doar US$ 158 milhões para grupos que apoiavam a campanha de Ken Paxton. Essa já configura uma das maiores doações individuais feitas na história do país.
Musk vive no Texas e tem uma ampla rede de empresas sediadas no estado. Lá estão a Tesla, sua montadora de carros elétricos, e a SpaceX, de transporte espacial. No X, rede social que ele também comprou em 2022, fez ataques constantes a Talarico. Disse que o texano era um "lunático de esquerda", que iria acabar com a democracia e transformar todas as crianças em transgêneros.
O senador eleito já fez diversas declarações em defesa dos direitos das pessoas trans e também falou publicamente sobre os privilégios que as pessoas brancas detêm em relação aos negros.
O presidente Donald Trump fez, no mês passado, um vídeo de mais de cinco minutos contra Talarico. Disse, entre outras coisas, que ele ofende Deus. "Há algo de errado com ele, o James Talafreako", disse o presidente, mudando o nome de Talarico para, de forma pejorativa, chamá-lo de esquisito ou excêntrico.
O democrata é mais um dos jovens membros em ascensão no partido que se opõem aos enormes montantes de dinheiro de bilionários e milionários que são despejados em campanhas políticas pelo país. Em uma de suas últimas manifestações públicas antes desta terça-feira, ele disse que "essa eleição é uma batalha entre os poderes estabelecidos e os poderes que deveriam estar no comando".
E continuou: "Os poderes estabelecidos escolheram seu candidato. Eles já pagaram por Ken Paxton. Eu quero ser um senador para todo texano que não pode pagar por um."
Talarico é originário de um dos estados com maior comunidade de origem latina nos EUA. Os latinos, tanto os imigrantes que nasceram em países de língua espanhola e se naturalizaram americanos quanto os que já nasceram nos EUA, filhos de pais imigrantes, compõem 41% da população texana, cerca de 13 milhões de pessoas. Em primeiro lugar está a Califórnia, que detém a mesma porcentagem de latinos, mas um número absoluto maior, em torno de 16 milhões.
O agora senador eleito não é latino, mas já disse, em declarações públicas, que sente nitidamente a influência da cultura latina e a respeita, dado que toda a sua família, por oito gerações, cresceu no Texas. O tema é importante porque, nessas midterms, o voto da população latina voltou a apoiar, em maior proporção, os democratas.
Ainda que não exista um voto uníssono, dado que essa parcela da população é diversa e, portanto, tem interesses variados, Trump havia conseguido conquistar uma histórica maioria entre eles ao se eleger para o segundo mandato. Devido à alta no custo de vida, essa parcela diminuiu seu apoio ao presidente nessas midterms.
Entre outras coisas, Talarico defende a revogação das tarifas econômicas que Donald Trump impôs a dezenas de países, entre eles os da América Latina, "que estão tornando tudo, da comida às roupas, mais caro". Propõe também aumentar o salário mínimo para US$ 15 por hora (hoje está em US$ 7,25) e diminuir os impostos cobrados da classe média.
Fonte: Folhapress
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