
Paris e outras cidades francesas anoiteceram mergulhadas em caos e violência depois de milhares terem saído às ruas no âmbito da jornada nacional de protesto contra o aumento do custo de vida e em apoio à reivindicações dos estudantes do ensino médio. © Tonny Linke/NurPhoto via Getty Images
PORTO VELHO, RO - Paris e outras cidades francesas terminaram o dia mergulhadas em caos e violência depois que milhares de pessoas foram às ruas durante a jornada nacional de protestos contra o aumento do custo de vida e em apoio às reivindicações dos estudantes do ensino médio.
O sábado foi marcado por uma forte mobilização contra o aumento do custo de vida, com centenas de milhares de pessoas nas ruas. No entanto, o dia também foi marcado por numerosos incidentes em Paris e em outras cidades francesas, incluindo lojas vandalizadas e saqueadas.
Na manhã deste domingo, algumas áreas comerciais do centro de Paris apresentavam vitrines completamente destruídas, com cacos de vidro espalhados pelas ruas. Em alguns locais, ainda havia barricadas feitas com contêineres, cercas, bicicletas e mobiliário urbano.
Segundo jornais franceses, que citam fontes policiais, 855 manifestantes foram detidos somente em Paris, de acordo com o balanço mais recente. A Prefeitura de Polícia de Paris também garantiu que as investigações judiciais continuarão, especialmente com a análise de imagens de vídeo, que poderá permitir a identificação de outros responsáveis por atos violentos.
O primeiro-ministro francês, Sébastien Lecornu, havia informado no sábado que as forças de segurança tinham detido mais de 1.200 pessoas durante episódios de violência registrados à margem das manifestações em várias cidades da França. Além das detenções, 150 policiais e integrantes da Gendarmaria ficaram feridos.
Vários feridos e um morto
Há pelo menos cinco feridos em estado crítico e 48 em situação de urgência relativa em Paris e em outras cidades francesas.
Em outras cidades da França, foram registrados pelo menos dez feridos em Lyon, 12 em Lille, cinco em Dijon e 15 em Rennes. Segundo a BFMTV, todos estão em situação de urgência relativa, sem risco imediato de morte.
Também houve o caso de um manifestante que teve a mão amputada em Saint-Étienne, no centro da França, após o lançamento de uma granada pelas forças policiais.
Este é o segundo caso desse tipo, depois que um adolescente de 15 anos perdeu a mão no início de outubro, em decorrência de uma granada de efeito moral disparada pela polícia em Lens.
De acordo com a BFMTV, também foi registrada uma morte. O caso consta em um relatório das autoridades parisienses e, segundo as informações disponíveis, trata-se de um manifestante que desmaiou no Boulevard Magenta. Apesar de ter recebido atendimento, a pessoa morreu antes de chegar ao hospital. As circunstâncias exatas do desmaio estão sendo investigadas.
Danos a edifícios e incêndios
Em Paris, também foram registrados confrontos entre a polícia e grupos de manifestantes. A polícia utilizou gás lacrimogêneo para dispersar centenas de manifestantes encapuzados e mascarados que lançavam rojões e outros objetos contra as forças de segurança na Praça da República, enquanto gritavam "Macron, renúncia". Um grande contingente da tropa de choque foi enviado ao local.
Em toda a França, milhares de pessoas atenderam a apelos nas redes sociais para reativar o movimento dos "coletes amarelos", que surgiu em 2018 em protesto contra a injustiça social.
O gabinete do ministro do Interior relatou atos de violência cometidos por indivíduos encapuzados em Paris, Marselha, Rennes, Toulouse e Angers. Entre os episódios registrados estão tentativas de saques, agressões a policiais, incêndios de mobiliário urbano e ataques a instalações governamentais e veículos de comunicação.
Na cidade portuária de Marselha, no sul do país, alguns estabelecimentos comerciais e uma delegacia da polícia municipal sofreram danos. Manifestantes também invadiram brevemente o saguão da Prefeitura.
Na sexta-feira, o presidente Emmanuel Macron reconheceu "o direito constitucional de protestar e de expressão", mas pediu calma.
"Esse direito exige respeito. Respeito pelas pessoas, respeito pelo patrimônio e, portanto, o compromisso de não insultar nem destruir", afirmou.
A polícia proibiu outras concentrações previstas para o centro de Paris e determinou o fechamento de estações de metrô neste domingo, incluindo aquelas localizadas nos arredores da Champs-Élysées e nas proximidades do Palácio do Eliseu, do Parlamento e de edifícios governamentais.
Nas últimas semanas, a França registrou milhares de detenções, centenas de feridos e escolas incendiadas, em um início de ano letivo marcado por protestos estudantis em escala nacional. As manifestações estão afetando a campanha para as eleições presidenciais e atraindo a atenção internacional.
Fonte: NOTÍCIAS AO MINUTO
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