Conselheiro estadual diz que órgãos de controle poderão ser acionados se Estado assumir Hospital Regional de Vilhena

Conselheiro estadual diz que órgãos de controle poderão ser acionados se Estado assumir Hospital Regional de Vilhena


Colegiado rejeita transição de gestão para o Governo de Rondônia e defende que responsabilidade legal do hospital permanece com o município.

PORTO VELHO, RO -
O conselheiro estadual de Saúde, Raimundo Nonato Soares, alertou que órgãos de controle poderão ser acionados caso o Governo de Rondônia insista na intenção de assumir a gestão do Hospital Regional de Vilhena (HRV). A declaração ocorre após a divulgação de um cronograma estadual para alterar a administração da unidade, atualmente gerida pela Santa Casa de Chavantes.

Em reunião recente do Conselho Estadual de Saúde (CES), a maioria dos conselheiros votou contra a transferência. Segundo Raimundo, nem mesmo os argumentos apresentados pelo secretário adjunto da Secretaria de Estado da Saúde (Sesau), Fábio Júlio Perondi Silva, sustentaram a proposta no plenário — sendo ele o único voto divergente.

“Todos os argumentos usados pelo secretário adjunto foram derrubados pelo plenário. Se insistirem em assumir uma responsabilidade que não é do Governo do Estado, serão responsabilizados”, afirmou.

Falta de respaldo legal

Para o conselheiro, a mudança viola o ordenamento jurídico do Sistema Único de Saúde (SUS), que atribui a Vilhena a gestão da unidade por exercer o papel de polo regional.

“Não existe respaldo legal para isso. O município é um polo regional. Se o Estado for assumir Vilhena, teria que assumir todos os demais polos regionais de Rondônia”, pontuou Raimundo.

Encaminhamentos e acionamento da Justiça

A deliberação do Conselho deve ser formalizada pela sua Mesa Diretora — composta por presidente, vice, secretário-geral e secretário-adjunto. Contudo, Raimundo ressaltou que, caso a direção não repasse a decisão aos órgãos competentes, a Central Única dos Trabalhadores (CUT) fará as representações.

Entre os órgãos previstos para receber as denúncias estão:

Ministério Público de Rondônia (MP-RO)

Ministério Público Federal (MPF)

Ministério Público de Contas (MPC-RO)

Ministério do Trabalho (devido aos vínculos empregatícios via CLT)

Críticas à saúde pública estadual

Raimundo também criticou a capacidade operacional do Estado, afirmando que a gestão estadual enfrenta graves gargalos nas unidades que já administra antes de tentar absorver novos hospitais. Ele citou deficiências no Hospital de Base, no Hospital e Pronto-Socorro João Paulo II e no Hospital Regional de Guajará-Mirim — este último também sob gestão terceirizada.

“Eles não estão conseguindo dar conta dos hospitais que são de responsabilidade deles. Falta profissional para atender a população e querem assumir mais uma demanda?”, questionou.

Cobrança à gestão municipal

O alerta do conselheiro estendeu-se à administração municipal. Raimundo ressaltou que o prefeito de Vilhena, Flori Cordeiro, e o secretário municipal de Saúde, Wagner Borges, também podem sofrer sanções caso omitam suas obrigações legais na manutenção do hospital.

“O prefeito e o secretário municipal serão responsabilizados por tabela se recusarem a assumir o que é dever do município enquanto polo regional”, concluiu.

Atualmente, o caso envolve diretamente o secretário de Estado da Saúde, Edilton Oliveira dos Santos, e o adjunto Fábio Júlio Perondi Silva, à medida que o Estado tenta avançar com o cronograma de transição.

Fonte: Assessoria











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