
Ao todo, 13 artistas participaram do projeto
PORTO VELHO, RO - Grafites produzidos por artistas locais transformam a Rua Jamari, em frente à sede do Ministério Público, em espaço de conscientização sobre os 20 anos da Lei Maria da Penha e o enfrentamento à violência
Sob o som de uma tradicional escola de samba de Porto Velho, o Ministério Público do Estado de Rondônia (MPRO), em parceria com coletivos e movimentos sociais, apresentou uma intervenção artística na Rua Jamari, em frente à sede da instituição, em Porto Velho, na última quarta-feira (4/8). A ação integra a programação dos 20 anos da Lei Maria da Penha e do Agosto Lilás e reuniu artistas locais para transformar a rua em um espaço de manifestação cultural e conscientização sobre o enfrentamento à violência contra as mulheres.
Denominada Rua das Penhas, a intervenção foi coordenada pelo Núcleo de Atendimento às Vítimas do MPRO (Navit) e contou com a colaboração de 13 artistas, pertencentes a coletivos, durante a realização da atividade. As pinturas foram desenvolvidas a partir de símbolos e mensagens relacionados à valorização das mulheres, ao direito à vida e à necessidade de combater diferentes formas de violência.
As intervenções artísticas instaladas no asfalto, nos muros e em frente à sede do MPRO utilizam símbolos, cores e mensagens para abordar a proteção das mulheres, o enfrentamento ao feminicídio, a igualdade de gênero e os canais de denúncia.
No asfalto, entre os elementos representados, estão frases como “Nos queremos todas vivas” e “Somos todas Marias”, além do símbolo e formas femininas, o girassol e a indicação do telefone 180, recomendado em casos de emergência. As obras também apresentam referências ao respeito, à diversidade e à convivência sem violência.
No muro, à esquerda, a silhueta de uma mulher negra aparece de perfil, em tom roxo-lilás. Com o braço erguido, em gesto de força, ao lado da frase "Dignidade não se negocia". Mais adiante, um girassol — símbolo do levante feminista. Outra cena mostra uma balança com os símbolos de gênero feminino e masculino em equilíbrio sobre os pratos. A imagem aparece entre os dizeres "Vivas e seguras" e "Levante feminista contra o feminicídio". Mais adiante, à direita, uma rosa vermelha de espinhos ilustra o trecho "20 anos Lei Maria da Penha".
Já a instalação "Casa de Resistência Contra o Feminicídio" ilustra parte da história da farmacêutica Maria da Penha Maia Fernandes, vítima de tentativas de assassinato pelo marido, em 1983. E a trajetória que culminou na condenação do Estado brasileiro por negligência e posteriormente deu origem à lei. Disponibiliza ainda vários canais de denúncia da rede de proteção, entre eles a Ouvidoria do MPRO (127), além de trechos da Lei Maria da Penha.
“Agradecemos aos coletivos que atuaram no processo de criação dessa manifestação artística entregue hoje, um trabalho conjunto entre MP e sociedade civil que, mais uma vez, demonstra a necessidade de união de esforços para fazer chegar à sociedade a mensagem de enfrentamento à violência”, afirmou o Subprocurador-Geral de Justiça Administrativo, Marcelo Lima de Oliveira.
Presente, a ativista Benedita Nascimento falou da bem-sucedida parceria estabelecida com o Ministério Público ao longo dos 20 anos da Lei Maria da Penha, demonstrada em muitas causas e ações e, mais especificamente, na arte Rua das Penhas. “Contem conosco sempre. Vamos juntos”, disse.
A entrega da obra nesta terça foi marcada pela apresentação da bateria da Escola de Samba Asfaltão, com a marchinha de carnaval “Maria da Penha”. O grupo também fez uma performance da percussão da agremiação.
A intervenção urbana teve a participação dos coletivos Levante Feminista, Fórum Popular de Mulheres e Rede Lilás. Participaram do ARTvismo: Gaspar Knyppel, Ismael Barreto, Jamile Alencar (Majestade), Julia Lumar, Laura Graziele, Letícia Dúo, Luciana Rebouças, Renan Relvas, Sandra Braids, Sara Karolina, Sara Lopes, Thay Flores e Vitória Alecrim.
Mobilização
Representante do Levante Feminista em Rondônia, Izabela Lima explicou que a intervenção busca manter o debate sobre a violência contra as mulheres presente no espaço público.
“Acredito que toda ação cultural é fundamental para trazer reflexão. A pintura em homenagem aos 20 anos da Lei Maria da Penha também deixa uma lembrança a longo prazo e reforça a importância de falar sobre uma luta que continua presente na vida de muitas mulheres”, afirmou.
Segundo Izabela Lima, a ação também busca aproximar jovens e movimentos artísticos das iniciativas de defesa dos direitos das mulheres. Entre os participantes está o coletivo Mente Nenhuma, que atua com grafite e outras expressões de arte urbana.
A representante destacou que a mobilização pretende contribuir para a conscientização sobre as dificuldades enfrentadas por mulheres em situação de violência e sobre a importância do fortalecimento da rede de proteção.
Conscientização
A artista Sara Karolina Rosa do Prado, de 26 anos, participou da intervenção com uma obra inspirada nos símbolos do movimento feminista, nas cores do Agosto Lilás e nas mensagens de enfrentamento à violência contra a mulher.
Formada em Artes Visuais e Comunicação, Sara desenvolve trabalhos com pintura em tela, acrílico, óleo e aquarela. Ela começou a produzir grafites aos 14 anos, após participar de atividades de pintura em paredes durante os estudos no Instituto Federal de Rondônia.
Para a intervenção na Rua das Penhas, a artista reuniu diferentes elementos visuais relacionados à campanha e criou uma composição autoral. Segundo ela, a participação de artistas locais amplia a visibilidade das ações e fortalece a representação das mulheres nos espaços de mobilização social.
“Ter mulheres presentes em uma ação voltada à defesa dos direitos das mulheres também reforça o lugar de fala e a valorização do ser feminino. Essas iniciativas mostram que a violência não deve ser normalizada, mas combatida”, disse.
Sara também levou os sobrinhos Nicolas Williams e Samir Williams e o marido, Michael Hesky, para participar do processo artístico. A artista afirmou que incentiva a família a compreender a arte como instrumento de expressão, reflexão e participação social. “A arte é um ato político e uma forma de construir consciência”, declarou.
Espaço público
A intervenção artística transforma a Rua Jamari em um mural coletivo de conscientização. A localização, em frente ao MPRO e próxima à faixa de pedestres, amplia a visibilidade das mensagens para pessoas que circulam a pé ou em veículos pela região.
A intervenção integra as ações culturais previstas para o Agosto Lilás, campanha nacional de conscientização e enfrentamento à violência contra as mulheres. A programação do MPRO também inclui o lançamento de serviços de proteção, rodas de conversa, capacitações e atividades voltadas ao fortalecimento da rede de atendimento.
Fonte: Gerência de Comunicação Integrada (GCI)
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Rondônia