Candidato do MDB ao Governo de Rondônia afirma que Estado perdeu capacidade de investimento, critica promessas para a saúde e defende regularização fundiária, apoio ao produtor rural e mudança da matriz econômica
Texto e fotos: Marcelo Gladson/CADERNO DESTAQUE
PORTO VELHO, RO - O candidato ao Governo de Rondônia pelo MDB, Pedro Abib, afirmou que o próximo governador terá pela frente um dos maiores desafios fiscais da história recente do Estado. Em entrevista concedida na sexta-feira (7) ao apresentador Edmilson Silveira, do programa Repórter do Povo, transmitido pela Rádio Rio Madeira, ele destacou a necessidade de reorganizar as contas públicas, ampliar a capacidade de investimento e estabelecer um novo modelo de gestão para áreas como saúde, agricultura, infraestrutura e desenvolvimento econômico.
Segundo Abib, dados apresentados recentemente pelo Tribunal de Contas do Estado de Rondônia (TCE-RO) demonstram uma situação fiscal mais grave do que ele imaginava. O candidato afirmou que, embora o Produto Interno Bruto (PIB) de Rondônia tenha crescido nos últimos anos, o aumento das despesas comprometeu a capacidade de investimento do Estado.
“O gargalo principal de Rondônia, talvez, se a gente fizesse essa entrevista um mês atrás, a abordagem que eu faria seria outra. Hoje, a minha abordagem é entender que o gargalo é a incapacidade total que o Estado tem hoje de investimento. Está totalmente comprometido”, declarou.
Abib afirmou que não pretende apresentar promessas sem indicar de onde sairão os recursos para executá-las. Para ele, o próximo governo precisará primeiro conhecer com precisão a situação financeira do Estado e estabelecer prioridades.
Saúde exige união entre Governo e bancada federal
Entre os principais problemas apontados durante a entrevista, a saúde recebeu atenção especial. Abib criticou a permanência de problemas estruturais no setor após oito anos da atual administração estadual e questionou novas promessas de construção de hospitais.
O candidato afirmou que a solução para a saúde de Rondônia não depende apenas dos recursos do Tesouro Estadual. Na avaliação dele, é necessário articular o Governo do Estado com os deputados federais e senadores de Rondônia para viabilizar investimentos estruturantes.
“Quem for eleito tem que pegar uma pastinha debaixo do braço, ir atrás do governo federal, sentar com a bancada federal e resolver”, afirmou.
Abib defendeu a construção de um novo hospital e disse que os recursos destinados por meio das emendas parlamentares da bancada federal poderiam contribuir para a execução de projetos dessa dimensão.
Para o candidato, o problema da saúde também envolve gestão e eficiência. Ele citou a situação do Hospital João Paulo II como exemplo de uma estrutura que, segundo sua avaliação, não pode continuar sendo apresentada apenas como promessa eleitoral.
“Não prometa. Fale com seriedade da saúde. Depois de eleito, faça o hospital e apresente para a população”, disse.
Situação fiscal limita investimentos
Ao comentar o diagnóstico apresentado pelo TCE-RO, Abib afirmou que o Estado possui atualmente uma capacidade de investimento muito inferior àquela que ele imaginava.
O candidato citou o percentual de 1,79% apresentado no diagnóstico e afirmou que grande parte do orçamento estadual já está comprometida com despesas obrigatórias, incluindo servidores, aposentadorias e manutenção da máquina pública.
Na avaliação de Abib, o próximo governador terá que trabalhar para recuperar a capacidade de investimento antes de assumir compromissos que dependam de grandes volumes de recursos.
“Eu preciso, sim, ser honesto com as pessoas e dizer de onde vou tirar o recurso. E, sabendo como, dizer o que vou fazer com esse recurso que vou buscar”, afirmou.
Agricultura e regularização fundiária
Na área rural, o candidato defendeu políticas voltadas principalmente à regularização fundiária, ao acesso ao crédito, à tecnologia e à melhoria da infraestrutura.
Questionado sobre as dificuldades enfrentadas por pequenos produtores nas estradas vicinais, Abib afirmou que percorreu diversos municípios e rodovias de Rondônia durante sua recente viagem pelo Estado.
Segundo ele, as condições de transporte interferem diretamente na produção e acabam gerando prejuízos aos produtores.
“Ele não paga só imposto. Ele paga pela ineficiência. Ele paga pela infraestrutura deficitária que as nossas estradas, nossas linhas e nossas ROs apresentam”, declarou.
Abib também defendeu a regularização fundiária como uma das primeiras medidas para fortalecer a produção rural. Segundo ele, sem documentação adequada, o produtor encontra dificuldades para acessar crédito e investir em tecnologia.
O candidato afirmou ainda que é necessário ampliar o acesso dos pequenos agricultores a mecanismos tecnológicos já utilizados por produtores maiores.
“O grande já acessa isso. Quem não acessa é o pequeno”, afirmou.
Candidato defende mudança da matriz econômica
Outro ponto central da entrevista foi a necessidade, segundo Abib, de mudar a forma como Rondônia aproveita sua produção.
Ele defendeu que o Estado deixe de atuar predominantemente como fornecedor de matérias-primas e passe a agregar valor à produção dentro do próprio território.
“Eu estou produzindo matéria-prima e vendendo-a crua, in natura. Depois estou comprando café pronto, estou comprando chocolate pronto, estou comprando porco já pronto, mas vendi a soja barata”, exemplificou.
Na avaliação do candidato, Rondônia precisa industrializar parte daquilo que produz, criando empregos, aumentando a renda e ampliando a arrecadação estadual.
Abib também relacionou essa discussão à necessidade de planejamento de longo prazo e afirmou que o Estado precisa aproveitar melhor suas vocações econômicas.
CAERD e privatização
Durante a entrevista, o candidato também foi questionado sobre a possibilidade de privatização da Companhia de Águas e Esgotos de Rondônia (CAERD).
Abib afirmou que não considera adequado que uma decisão dessa magnitude seja tomada às vésperas de uma eleição estadual. Para ele, a população deveria participar do debate e ter a oportunidade de escolher o governo que conduzirá o Estado pelos próximos quatro anos.
“Vamos discutir com seriedade, mas não vamos fazer uma privatização em véspera de eleição, em véspera de mudança do governo do Estado”, afirmou.
O candidato também questionou os valores envolvidos na discussão e citou perdas no sistema de abastecimento como um dos fatores que, segundo ele, precisam ser considerados antes de qualquer decisão.
Crítica ao modelo político
Ao longo da entrevista, Pedro Abib também criticou o que considera um modelo político baseado em disputas partidárias e na falta de diálogo entre os diferentes níveis de governo.
Ele defendeu uma relação mais institucional entre o Governo do Estado, prefeituras, Assembleia Legislativa, bancada federal e Governo Federal, independentemente de diferenças partidárias.
“O governo do estado tem que ser um elo de fato com tudo aquilo que está ao redor do poder: toda a bancada federal, os 52 municípios, a Presidência da República”, declarou.
Para Abib, projetos estruturantes para Rondônia precisam ser construídos de forma conjunta e com planejamento de longo prazo.
“Não sou político de carreira”
Ao encerrar a entrevista, o candidato afirmou que sua candidatura representa uma tentativa de apresentar uma alternativa ao modelo político tradicional.
“Eu não sou um político de carreira”, declarou.
Abib disse que pretende colocar sua experiência profissional e acadêmica à disposição dos eleitores e defendeu um projeto de Estado baseado em planejamento, educação, saúde, segurança pública, infraestrutura e desenvolvimento econômico.
“Essa é a opção que o Pedro Abib, candidato ao governo do estado de Rondônia, traz. Alguém que se preparou, se qualificou para contribuir com Rondônia de verdade”, afirmou.
A entrevista também marcou a defesa do candidato por uma mudança na forma de fazer política no Estado, com maior integração entre as instituições e prioridade para projetos considerados estruturantes.
Pedro Abib é candidato ao Governo de Rondônia pelo MDB nas eleições de 2026.
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