“O município tem toda estrutura predial, pessoal e equipamentos para tocar a saúde. Se terceirizar a saúde, Guajará perderá o repasse do SUS”, alertou, Tany Melhem
Texto e fotos Marcelo Gladson/CADERNO DESTAQUE
GUAJARÁ-MIRIM, RO - O Conselho Municipal de Saúde de Guajará-Mirim emitiu parecer contrário à proposta de terceirização dos serviços de saúde no município. A decisão, segundo o presidente do conselho, Tany Melhem (Tanous Melhem Bouchabki Neto), não tem sido respeitada pela gestão municipal, que segue com o processo com apoio da Câmara de Vereadores.
De acordo com Tany, durante a votação interna do conselho, apenas um membro se manifestou favorável à terceirização: o então secretário municipal de Saúde. “Apesar dele ter votado favorável, o voto dele é ilegal, pois na hora da votação, o secretário já tinha renunciado ao cargo”, destacou o presidente.
Mesmo com o posicionamento contrário da maioria, Tany afirma que o Executivo municipal mantém a proposta em andamento. Ele também questiona a necessidade da medida, argumentando que o município possui condições de gerir a saúde pública com estrutura própria. “O município tem toda estrutura predial, pessoal e equipamentos para tocar a saúde. Se terceirizar a saúde, Guajará perderá o repasse do SUS”, alertou, acrescentando que a prefeitura poderia buscar apoio pontual em áreas específicas onde há dificuldades.
Outro ponto levantado pelo conselho diz respeito à audiência pública realizada pela Câmara Municipal. Segundo Tany, o evento apresenta irregularidades que comprometem sua validade jurídica. “Não houve o cumprimento de trâmites básicos, como a elaboração da ata da audiência. Além disso, não fomos convidados para compor a mesa e tivemos apenas três minutos de fala”, relatou.
Ainda de acordo com o presidente, chamou atenção a presença de um defensor público lotado em Porto Velho, que teria sido convocado para defender a terceirização durante a audiência.
Diante do cenário, o Conselho Municipal de Saúde afirma que pretende acionar todas as instâncias legais cabíveis para barrar o avanço da proposta. “Vamos buscar todos os meios legais para evitar que o município cometa esse erro”, concluiu Tany.
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