Temor na Petrobras é de volta do intervencionismo

Temor na Petrobras é de volta do intervencionismo

Além da disputa interna em torno do pagamento dos dividendos, há outros motivos que preocupam os investidores

O que está em jogo nessa discussão da Petrobras é maior do que o evento em si de decidir distribuir dividendos extraordinários ou não. Mas o fato de que dá uma impressão cada vez maior de intervenção, de volta das ideias intervencionistas do governo.

A Petrobras é uma empresa de capital aberto, portanto, tem acionistas privados, regras de governança que a protege de ficar fazendo a vontade do acionista controlador, no caso, o governo. O próprio presidente da Petrobras, Jean Paul Prates, era a favor de distribuir os dividendos. Teve uma divisão no conselho: os conselheiros do setor privado votaram pela distribuição de dividendos e os ligados ao governo votaram contra. Prates se encontra nesta segunda-feira com o presidente Lula.

Há uma tentativa de intervenção até em empresas que já foram privatizadas, em um caminho contrário do que estava traçado até agora. Ela vendeu ativos, focou no ponto principal, privatizou refinarias, privatizou a BR, que era a distribuidora de combustíveis, postos de gasolina. Agora está querendo fazer o contrário, retomar as refinarias que vendeu e ter distribuidora novamente.

Outra situação que tem causado preocupação é a retomada de investimentos que foram abandonados no passado porque não foram lucrativos, deram grande prejuízo como a refinaria Abreu Lima.

Vamos lembrar que ao final do período do PT no governo a Petrobras estava no prejuízo com uma dívida muito alta. Foi recuperada na gestão de Pedro Parente e voltou a ser lucrativa.

Esses são ruídos que vão se somando e dando preocupação ao investidor. Tem várias divisões no governo, o presidente da Petrobras, Jean Paul Prates, e o ministro de Minas e Energia, Alexandre Silveira, não se entendem. Além disso, a equipe econômica era a favor da distribuição de dividendos e já contava com este recurso para composição das contas públicas. Ou seja, a decisão desagradou ao mercado e ao Ministério da Fazenda.


Fonte: O GLOBO

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