É possível alcançar os 100 pontos na NBA? Craques se aproximam de recorde de Wilt Chamberlain

É possível alcançar os 100 pontos na NBA? Craques se aproximam de recorde de Wilt Chamberlain

Marca segue intransponível há 62 anos, mas performances de mais de 70 pontos de Embiid e Doncic levantam o debate

Qual é o teto de um atleta moderno da NBA? A atual temporada do basquete americano tem mostrado que as altas e históricas pontuações vêm se tornando uma constante na liga. Após um mês em que o pivô Joel Embiid (Philadelphia Sixers) e o armador Luka Doncic (Dallas Mavericks) cravaram duas das maiores performances da história do jogo, com 70 e 73 pontos, respectivamente, uma discussão virou assunto do dia entre torcedores, jogadores e especialistas : será possível alcançar o histórico jogo de 100 pontos da lenda Wilt Chamberlain, maior pontuação da história da NBA?

Os 73 pontos de Doncic sobre o Atlanta Hawks, no último dia 26, poderiam ser ainda mais elásticos. O esloveno somou 41 nos dois primeiros quartos e “apenas” 32 nos dois últimos. Nos lances finais da partida, ainda teve chances de buscar a cesta, mas optou por armar jogadas. O mesmo vale para Embiid, que atuou apenas 36 minutos no grande jogo que fez contra o San Antonio Spurs, no dia 22.

“Alguém vai marcar 100 pontos até o fim da temporada!”, escreveu DeMar DeRozan, do Chicago Bulls, em seu perfil no Twitter após o jogo de Doncic. O veterano da liga, que em 2018 marcou 52 pontos contra o Milwaukee Bucks quando ainda atuava pelo Toronto Raptors, explicou sua visão ao jornal Chicago Times.

— As habilidades dos jogadores hoje são incríveis. O ritmo de jogo, o maior número de posses de bola, o número de cestas de três. Temos caras tão dominantes no que fazem... Booker, Embiid, Luka. São grandes e talentosos jogadores. Também entendem como manipular o jogo a favor deles. Está no QI de basquete deles. É a evolução do jogo — disse o jogador de 34 anos. — Quando eu cheguei na liga, 40 pontos era algo grande. Agora, eles vão par ao intervalo com 40 pontos.

Trabalho coletivo

As altas pontuações da dupla não foram as únicas na temporada. Em dezembro do ano passado, Giannis Antetokounmpo (Milwaukee Bucks) marcou 64 pontos contra o Indiana Pacers. Em janeiro, foi a vez de Devin Booker (Phoenix Suns) e Karl-Anthony Towns (Minnesota Timberwolves) marcarem 62.

— A NBA hoje tem muito talento, mas as regras de 20 anos para cá foram mudando e dando mais vantagens para o ataque. É possível, do jeito que estamos vendo os jogos, que um jogador passe essa marca dos 100 pontos, principalmente os dois (Embiid e Doncic) — opina Guilherme Giovannoni, comentarista da ESPN.

A também comentarista da emissora Helen Luz vê distância do feito:

— Acho que a gente ainda não está tão perto como achamos. É muito difícil fazer 100 pontos porque esse jogador precisaria tentar mais de 100 (arremessos ou lances livres), o que é complicado. Eu não vou falar que é impossível, o Doncic tentou 95 para fazer 73 em 45 minutos de jogo, sem prorrogação — diz ela, que vê um cenário de uma prorrogação ou mais como propício. — Os jogadores no entorno têm que entender que o dia é desse jogador. E o técnico deixar claro, porque não depende só dele.

O recorde da lenda

Os cem pontos num único jogo aconteceram uma única vez na história da liga, pelas mãos do lendário Wilt Chamberlain. Era março de 1962, em Hershey (Pensilvânia), quando o Philadelphia Warriors (hoje Golden State Warriors) de Wilt enfrentava o New York Knicks.

Já recordista de pontos da liga, com os 78 que fizera meses antes, o icônico jogador fechou o primeiro quarto com 23 pontos e foi para o intervalo com 41 na conta. No último quarto, a emoção tomou conta dos torcedores presentes, que pediram incessantemente que a bola fosse passada para o craque. Quando marcou o centésimo, a quadra foi invadida por eles.

O registro desta noite existe apenas em texto. Não há qualquer filmagem. Mas eternizou uma foto de Paul Vathis, que registrou Wilt com um pedaço de papel com o número 100 escrito, momento até hoje repetido pelos atletas que alcançam pontuações altíssimas como aquela.

O último jogador a chegar perto desse recorde foi o saudoso Kobe Bryant, que fez incríveis 81 pontos pelo Los Angeles Lakers contra o Toronto Raptors, em 2006.

Veja outras opiniões:

Zé Boquinha, comentarista: Eu achava que alguns recordes que foram batidos nunca seriam, como o de triple-doubles de Oscar Robertson, e de repente Russell Westbrook virou o rei do triple-double. Com o jogo mais corrido, as bola de três pontos, eu acho muito difícil alguém fazer 100 na atual conjuntura, mas não impossível da maneira que as coisas estão correndo. 

O Chamberlain fez 100 numa outra época, ele era dominante demais dentro do garrafão, mas sem nenhuma bola de três, isso tem que ser registrado. Hoje, é o que mais se faz na NBA, metade dos arremessos são de bolas de três, o que pode fazer (chegar) nessa pontuação. Nesse momento, eu não vejo que recorde não possa ser batido. 

Acho muito difícil, mas tudo pode acontecer, a NBA mudou muito. Temos grandes jogadores hoje, como tivemos em todas as suas épocas, anos 1980, com jogadores maravilhosos, anos 1990, e agora essa turma aí que mete bola de três adoidado.

Eduardo Agra, comentarista: Obviamente, os jogadores, nesses últimos anos, mudaram fisicamente. A gente tem um Embiid que para ser parado dentro do garrafão, precisa ter ajuda, chegar dois marcadores nele. No jogo que ele fez 70 pontos, arremessou 41 bolas, fez 20 de 23 de lances livres, arremessou só três bolas de três e fez uma. Para o cara que joga mais próximo à cesta, a bola de três acaba não sendo um fator. 

Em compensação, Luka Doncic, quando fez os 70, foi com oito bolas de três, 24 pontos. Os outros 49 ele fez em bolas de dois, lances livres, transição. Muita gente foca muito na bola de três, eu acho que tem todos esses outros fatores. O Devin Booker já fez duas vezes 60 ou mais, é um desses caras que estão ficando livres por causa dessa rotação defensiva que às vezes não funciona. Tem um aproveitamento muito alto. 

O Damian Lillard, desde o Portland Trail Blazers, fazia esses jogos de 60, 65, 70. Eu acho que a tendência é que as altas pontuações cresçam. O Luka fez 73 e precisava de mais 27 pontos para fazer 100. É outro quarto, aí tem o tempo também. Apesar de que eles não jogaram tanto nos dias que fizeram esses pontos. Penso que são esses os fatores (para o aumento dessas pontuações). Primeiro, a bola de três, obviamente. Depois, o rebote ofensivo. E essa regra nova de falta na transição.


Fonte: O GLOBO

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