Herança bolsonarista, 8 de janeiro, arapongagem: limpas na Abin e no GSI sob Lula já geraram mais de cem exonerações

Herança bolsonarista, 8 de janeiro, arapongagem: limpas na Abin e no GSI sob Lula já geraram mais de cem exonerações

Desde os ataques golpistas de 8 de janeiro, o presidente fez mudanças em postos-chave dos órgãos de inteligência

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva decidiu, nesta terça-feira, exonerar o diretor-adjunto da Agência Brasileira de Inteligência (Abin), Alessandro Moretti. Além de dispensar o número 2 do órgão, o petista também desligou quatro e designou novos sete diretores da agência, em funções ocupadas por agentes secretos. As substituições acontecem em meio a uma investigação da Polícia Federal sobre um suposto esquema de espionagem ilegal na Abin durante o governo Jair Bolsonaro, quando o órgão era comandado por Alexandre Ramagem, hoje deputado federal pelo PL.

As baixas em posições estratégicas, porém, não são uma novidade na gestão lulista. Desde o início do terceiro mandato, e principalmente após os ataques golpistas de 8 de janeiro do ano passado, diversos nomes da Abin e do Gabinete de Segurança Institucional (GSI) acabaram desligados, totalizando, com as trocas desta terça, mais de cem exonerações apenas nos dois órgãos, em um período de apenas um ano.

Os atos de depredação na Praça dos Três Poderes geraram clima de desconfiança com membros do GSI que haviam sido indicados pelo governo de Jair Bolsonaro ou eram ligados à gestão anterior e permaneciam no Palácio do Planalto. Além de gerar diversas demissões de servidores, essa preocupação fez com que a Abin, tradicionalmente vinculada ao GSI, passasse a ficar sob o guarda-chuva da Casa Civil, ministério comandado pelo ex-governador da Bahia Rui Costa.

Outro motivo que levou a demissões foi a operação 'FirstMile', que apurou o uso ilegal do programa espião de mesmo nome pela Abin. Veja a seguir algumas das limpas realizadas nesses órgãos durante o governo Lula.

Janeiro de 2023

Logo em janeiro, em meio às repercussões dos ataques de dia 8 de janeiro, o governo trocou o número 2 do GSI, responsável pela segurança dos palácios presidenciais. General Carlos José Russo Assumpção foi substituído por Ricardo José Nigri, já que o primeiro trabalhava com Augusto Heleno, o comandante do gabinete no governo Bolsonaro.

Abril de 2023

Em abril de 2023, o general Gonçalves Dias deixou o comando do GSI após a divulgação de imagens que mostravam sua movimentação no Palácio do Planalto durante a invasão do prédio no 8 de janeiro, o que levou Capelli a ser escolhido como interino por Lula para o cargo. Em seguida, Ricardo José Nigri também foi exonerado do cargo de secretário-executivo do GSI.

No mesmo mês, Capelli recebeu uma determinação do presidente de fazer uma "limpa" no órgão e chegou a desligar mais 87 servidores do gabinete, a maioria ligada à gestão de Bolsonaro. No primeiro grupo, foram 29 demitidos, sendo um civil e 28 militares. Em seguida, na mesma semana, foram mais 58. Nessas levas foram exonerados três dos quatro secretários nacionais do GSI: Max Moreira, Marcelo Gomes e Marcius Netto — todos militares de alta patente.

O primeiro, brigadeiro de ar, ocupava a Secretária de Assuntos de Defesa e Segurança Nacional. O segundo, contra-almirante Marcelo da Silva Gomes, ocupava a Secretaria de Coordenação de Sistemas desde novembro de 2021. Já o general Marcius Cardoso Netto era secretário de Segurança e Coordenação Presidencial.

Outro posto considerado chave no GSI, então ocupado por nome indicado pelo governo anterior, era a Diretoria do Departamento de Gestão, onde o coronel Gladstone Barreira Júnior estava lotado desde abril de 2019. Ele também foi exonerado.

Outubro de 2023

Em outubro, foi afastado o secretário de Planejamento e Gestão Maurício Fortunato Pinto, número 03 da Abin. A exoneração ocorreu em meio à investigação da PF sobre uso de programa espião pela agência. A ferramenta israelense chamada “FirstMile” era operada, sem qualquer controle formal de acesso, pela equipe de operações da agência de inteligência, comandada à época por Fortunato. Outros dois diretores foram dispensados junto com ele, mas tiveram sua identidade protegida.

No mesmo mês, foram demitidos dois servidores da Agência Brasileira de Inteligência (Abin) presos em operação da Polícia Federal. Eduardo Izycki e Rodrigo Colli foram investigados por oferecerem ao Exército, por meio de uma empresa, um sistema de monitoramento de redes sociais desenvolvido internamente na Abin, além do uso indevido do First Mile para coagir a cúpula da agência e evitar a sua demissão.

Janeiro de 2024

Foi exonerado, nesta terça-feira, o diretor-adjunto da Abin, Alessandro Moretti. Para o cargo, foi nomeado o Marco Cepik, atual diretor da Escola de Inteligência da Abin e homem de confiança do diretor-geral da agência, Luiz Fernando Corrêa. A troca foi assinada pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva e publicada no Diário Oficial.

O presidente também dispensou quatro e designou novos sete diretores da agência, em posições ocupadas por agentes secretos. As substituições acontecem em meio a uma investigação da Polícia Federal sobre um suposto esquema de espionagem ilegal na agência no governo de Jair Bolsonaro, quando o órgão era comandado por Alexandre Ramagem, hoje deputado federal.

(estagiária sob supervisão de Luã Marinatto)


Fonte: O GLOBO

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