Dino só deve tomar posse no Supremo em fevereiro

Dino só deve tomar posse no Supremo em fevereiro


Aprovado pelo Senado, magistrado herdará ao menos 344 ações que estão no acervo de Rosa Weber

Aprovado pelo Senado na quarta-feira, Flávio Dino deve tomar posse no Supremo Tribunal Federal (STF) apenas em fevereiro, quando o Judiciário retoma suas atividades após o recesso. A previsão é de que a cerimônia do novo integrante da Corte ocorra em meados do segundo mês de 2024.

Os trabalhos do STF terminam na próxima terça-feira, dia 19, quando a Corte realiza sua última sessão do ano. No final de novembro, o presidente do Supremo, ministro Luís Roberto Barroso, já havia sinalizado que, em caso de aprovação do nome de Dino, sua posse deveria ficar apenas para 2024, após o recesso do Judiciário.

— Acharia mais razoável que ele tomasse posse depois do recesso, em meados de fevereiro, antes ou depois do Carnaval, para que não precise ser feita uma posse corrida — afirmou a jornalistas.

Flávio Dino foi indicado pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) para ocupar a vaga aberta com a aposentadoria da ministra Rosa Weber. O ministro da Justiça, de 55 anos, herdará ao menos 344 ações que estão no acervo da magistrada.

A partir de agora, começa o prazo para que o nome do novo ministro seja publicado no Diário Oficial e a nomeação seja feita por Lula. Dino começará a tomar conhecimento dos procedimentos burocráticos da Corte, como a composição de seu gabinete, estoque de processos e medidas de segurança que poderá ou não adotar.

Com a ida da posse até fevereiro, há um mistério a respeito da manutenção de Dino no Ministério da Justiça até lá. O prazo "esticado" pode dar tempo para que o presidente bata o martelo para um nome de peso para o cargo. Hoje, o mais cotado para assumir a pasta é o ministro aposentado do STF Ricardo Lewandowski. A Justiça, no entanto, é alvo de disputas pelo PSB e pelo braço-direito de Dino, Ricardo Cappelli, atual secretário-executivo.

O último ministro que tomou posse no Supremo foi Cristiano Zanin, que também foi aprovado pelos senadores antes do recesso do Judiciário e só assumiu efetivamente suas funções com o início do segundo semestre do ano Judiciário. Dino é ex-juiz federal, função que ocupou por 12 anos.

Nome de confiança de Lula desde a eleição, Dino fez parte da coordenação do grupo técnico da equipe de transição. Uma das principais medidas anunciadas como prioritária foi revogação de decretos de Jair Bolsonaro que flexibilizaram a compra e a posse de armas no país. Em janeiro, ele foi nomeado ministro da Justiça e Segurança Pública.

Dino ganhou visibilidade à frente da pasta e passou a ser cotado para o STF às vésperas da aposentadoria da ministra Rosa Weber, ex-presidente da Corte. No comando do ministério, ele lidou logo nos primeiros dias com os atos de 8 de janeiro. 

Determinou a atuação da Força Nacional e foi essencial na articulação que levou o secretário-executivo da pasta, Ricardo Cappelli, a exercer o cargo de interventor na segurança. A atuação também acirrou ânimos e fez com que ele fosse convocado diversas vezes a prestar esclarecimentos na Câmara.


Fonte: O GLOBO

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