Só 10% das empresas medem emissões de gases poluentes, diz BCG

 

Em comparação a 2021, porém, houve um leve crescimento. Pesquisa da consultoria confirma que quem faz o inventário consegue reduzir emissões

Porto Velho, RO 
- Uma pesquisa divulgada pela consultoria BCG (ex-Boston Consulting Group) com mais de 1.600 respondentes de 18 países mostrou que apenas 10% das empresas mediram suas emissões de gases de efeito estufa de forma abrangente (escopo 1, 2 e 3) em 2022. Em 2021, esse percentual estava em 9%, ou seja, houve um leve crescimento de interesse.

Isso mostra que, apesar de a medição ser importante para identificar formas de reduzir poluição, são poucas que o fazem, ainda mais para entender a pegada de carbono de sua cadeia de fornecedores e stakeholders externos (escopo 3).

Enquanto 92% de todas as emissões são externas (escopo 3), de acordo com o Carbon Disclosure Project (CDP), apenas 12% das organizações pesquisadas consideram o escopo 3 sua principal prioridade.

Outro dado revelado pela AI by BCG Carbon Emissions Survey é que quem faz o inventário de gases de efeito estufa (GEE) consegue, de fato, reduzir emissões. Do total dos entrevistados, 64% dos que disseram que medem o escopo completo de suas emissões (escopos 1, 2 e 3), e 45% dos que medem parcialmente (escopos 1 e 2), notaram uma redução significativa, de mais de 50%, da poluição que gerava.

Além disso, há benefícios financeiros claros: mais de 70% dos entrevistados estimam que pelo menos US$ 1 milhão em benefícios anuais pela redução de emissões. Desses, 37% calcula que os ganhos chegam a US$ 100 milhões ou mais.

Os benefícios mais palpáveis foram a melhora da reputação, apontada por 54% das organizações e redução de custos operacionais, observada também por 54%. A capacidade de atrair os melhores talentos também foi vista como vantagem.

– Essas medições são cruciais para ajudar as empresas a trabalhar em direção a seus objetivos de net zero (missões líquidas de gases poluentes) – disse Charlotte Degot, fundadora e líder global de CO2 AI do BCG. – E eles precisam ser apoiados por ferramentas digitais que os ajudem a alcançar precisão e abrangência, o que ajuda na tomada de decisões para redução.

Benefícios ao reduzir emissões de gases de efeito estufa

Melhora de reputação: 54%

Diminuição de custos: 54%

Valuations maiores: 48%

Crescimento de receitas: 43%

Benefícios fiscais locais: 40%

Capacidade de atrair talentos: 37%

Fonte: CO2 AI by BCGCarbonEmissions Survey 2022;BCGanalysis

Soluções digitais são necessárias



Os entrevistados acreditam que mais apoio da liderança, melhores incentivos políticos (por exemplo, regulamentação, incentivos fiscais) e adoção de soluções digitais são necessários para acelerar a medição e redução de emissões.

Na frente digital em particular, as organizações com soluções automatizadas para medição de emissões são 2,2 vezes mais propensas a medir sua poluição nos três escopos e 1,9 vezes mais inclinadas a reduzir as emissões de acordo com suas ambições.

– Os resultados da pesquisa deste ano contam uma história clara – chegou a hora de acelerar urgentemente o progresso em termos de medição e redução de emissões – disse Hubertus Meinecke, líder global da prática de Clima e Sustentabilidade do BCG.

Ele acrescenta:

–Os líderes precisam demonstrar convicções verdadeiras e vontade de impulsionar mudanças culturais – tanto no nível da empresa quanto do governo, e as organizações precisam adotar a adoção das ferramentas digitais e de IA disponíveis para fornecer a medição mais precisa e abrangente.

O BCG pesquisou mais de 1.600 organizações, com 1.000 funcionários ou mais e receitas que variam de aproximadamente US$ 100 milhões a mais de US$ 10 bilhões anuais, em 14 grandes indústrias e em 18 países. Essas organizações são, em conjunto, responsáveis ​​por mais de 40% das emissões globais.


Fonte: O GLOBO

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