Rússia ataca casas no Sul da Ucrânia e alerta para escalada

Mísseis e drones foram disparados contra Mykolaiv

Porto Velho, RO - Sob pressão no Sul da Ucrânia, a Rússia disparou mísseis e drones contra Mykolaiv neste domingo (23), destruindo um bloco de apartamentos na cidade de construção naval, perto do front, e alertando que a guerra caminha para "escalada incontrolável".

Mykolaiv fica a cerca de 35 quilômetros (km) a noroeste da linha de frente para Kherson, na Região Sul, que é alvo de grande ofensiva das forças ucranianas para retomar o território que a Rússia capturou logo após a invasão, em 24 de fevereiro.

O ministro da Defesa da Rússia, Sergei Shoigu, que os nacionalistas russos culparam pelos reveses de Moscou na guerra, discutiu a "situação em rápida deterioração" em ligações com seus colegas franceses e turcos, informou a pasta.

Shoigu disse que a Ucrânia pode intensificar com uma "bomba suja", explosivos convencionais misturados com material radioativo, sem fornecer evidências. A Ucrânia não tem armas nucleares, enquanto a Rússia afirmou que poderia proteger o território russo com seu arsenal nuclear.

Hoje, em ataque russo convencional, um míssil destruiu o último andar de um prédio de apartamentos em Mykolaiv, lançando estilhaços e detritos em praça e prédios vizinhos. Carros foram esmagados sob os escombros, testemunhou a Reuters. Nenhuma morte foi relatada.

"Depois da primeira explosão, tentei sair, mas a porta estava travada. Depois de um minuto ou dois, houve uma segunda explosão. Nossa porta explodiu no corredor", disse Oleksandr Mezinov, 50 anos, que foi acordado pelo estrondo.

A Ucrânia derrubou 14 drones kamikazes russos sobre Mykolaiv durante a noite, disse o governador regional Vitaliy Kim, no Telegram. Os drones, projetados para explodir com o impacto, atingiram a infraestrutura de energia da Ucrânia este mês.

Kim lembrou que a Rússia também atacou com mísseis S-300, um dos quais atingiu o prédio de cinco andares.

Intensificação de ataques

As tropas russas se retiraram de partes do front nas últimas semanas, e as autoridades de ocupação estão retirando civis mais profundamente no território controlado pela Rússia antes de uma batalha esperada para Kherson, a capital regional na margem oeste do Rio Dnipro. Kherson é uma porta de entrada para a Crimeia, que a Rússia anexou em 2014.

Autoridades russas instaladas em Kherson informaram que um homem foi morto e três ficaram feridos após explosão na cidade, segundo a agência de notícias estatal russa. Os serviços de emergência relataram que um dispositivo explosivo improvisado foi detonado perto de um carro na cidade.

A Reuters não pôde verificar o ataque em Kherson, ou o relatório de Kim sobre mísseis e drones.

Os avanços da Ucrânia nas últimas semanas em torno de Kherson e no Nordeste do país foram recebidos com a intensificação de ataques com mísseis e drones russos à infraestrutura civil, que destruíram cerca de 40% do sistema de energia da Ucrânia antes do inverno.

A Rússia e a Ucrânia se acusaram mutuamente de planejar explodir a barragem de Nova Kakhovka que, se rompida, pode inundar uma faixa do Sul da Ucrânia, incluindo Kherson.

Nenhum dos lados apresentou evidências para apoiar suas alegações sobre a barragem, que fornece água para a Crimeia e a usina nuclear de Zaporizhzhia, controlada pela Rússia.

Em Kherson , as autoridades de ocupação instruíram os civis a sair, no mais recente sinal dos problemas que a Rússia está enfrentando no que Moscou chama de "operação militar especial" na Ucrânia.

"Devido à situação tensa no front, ao aumento do risco de bombardeios maciços na cidade e à ameaça de ataques terroristas, todos os civis devem deixar imediatamente a cidade e cruzar para a margem esquerda (leste) do Dnipro!" disse comunicado divulgado no Telegram.

"Queremos ficar"

Milhares de civis deixaram Kherson, após avisos de uma ofensiva ucraniana para recapturar a cidade.

Em Oleshky, na margem leste, a Reuters viu pessoas chegando de barco de Kherson, carregadas de caixas, bolsas e animais de estimação. Uma mulher carregava uma criança com um braço e um cachorro com o outro.

"Eu realmente não queria sair, ainda estou trabalhando", disse um morador. "Queríamos ficar aqui na região, mas agora não sabemos."

Os militares da Ucrânia disseram que estão obtendo ganhos no Sul, tomando pelo menos duas aldeias que a Rússia disse ter abandonado.

A Reuters não pôde verificar os dados de forma independente.

O presidente ucraniano, Volodymyr Zelenskiy, afirmou que os ataques russos à infraestrutura de energia atingiram uma escala "muito ampla". Ele prometeu que seus militares melhorariam um histórico já bom, de derrubar mísseis com a ajuda de seus parceiros.

Com a guerra prestes a entrar no nono mês e o inverno se aproximando, o cenário para uma miséria congelante se aproxima.

Mais de 1 milhão de pessoas ficaram sem energia, disse o assessor presidencial Kyrylo Tymoshenko. Uma autoridade municipal afirmou que os ataques podem deixar Kiev sem energia e aquecimento por dias ou semanas.

Moscou reconheceu ter como alvo a infraestrutura de energia, mas negou mirar em civis.


Fonte: Agência Brasil

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