Ucrânia e Rússia trocam acusações sobre usina nuclear de Zaporizhzhia

Inspetores da ONU visitam a usina para verificar segurança

Porto Velho, RO
- Ucrânia e Rússia trocam acusações sobre as ações em torno da usina nuclear de Zaporizhzhia, nesta sexta-feira (2), enquanto uma equipe de inspetores da agência de Energia Internacional de Energia Nuclear (AIEA), da Organização das Nações Unidas (ONU) tenta verificar a segurança da instalação e evitar potencial desastre.

A empresa nuclear estatal da Ucrânia - Energoatom - informou que a missão não teve permissão para entrar no centro de crise da usina, onde o país diz que as tropas russas estão, e que terá dificuldades para fazer uma avaliação imparcial.

O ministro da Defesa russo, Sergei Shoigu, afirmou que a Ucrânia continua bombardeando a usina, aumentando o risco de catástrofe nuclear.

O local, a 10 quilômetros das posições ucranianas do outro lado do Rio Dnipro, foi capturado pelas forças russas logo após a invasão da Ucrânia, no fim de fevereiro, e se tornou foco de preocupação.

A usina sofreu repetidos bombardeios no mês passado, com Kiev e Moscou trocando acusações pelos ataques. O local ainda é administrado por funcionários ucranianos, e a Rússia rejeitou pedidos para retirar as tropas.

O diretor-geral da AIEA, Rafael Grossi, e sua equipe passaram várias horas em Zaporizhia, a maior usina nuclear da Europa, nessa quinta-feira (1º) e pretendem retornar amanhã às linhas de frente para avaliar os danos.

Após a visita inicial, Grossi disse que a integridade física da usina foi violada várias vezes e que está preocupado com a situação.

A Energoatom declarou que será difícil para a equipe da AIEA fazer uma avaliação imparcial devido à interferência russa.

"Os russos não permitiram que a missão entrasse no centro de crise, onde os militares estão atualmente, alegando que os representantes da agência não deveriam ver", afirmou a Energoatom em comunicado.

"Os ocupantes (russos) mentem, distorcem os fatos e as evidências que testemunham do bombardeio da usina, bem como as consequências dos danos à infraestrutura", acrescentou.

O presidente ucraniano, Volodymyr Zelenskiy, disse que a missão ainda pode ter um papel a desempenhar, apesar das dificuldades encontradas.

"Infelizmente, não ouvimos o principal da AIEA, que é o pedido para que a Rússia desmilitarize a estação", afirmou Zelenskiy em vídeo transmitido para um fórum na Itália.


Fonte: Agência Brasil

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