Kiev quer libertar combatentes de Mariupol que se renderam em trocas de prisioneiros com a Rússia

Celebrados como heróis após 82 dias de resistência, centenas de soldados se entregaram na segunda à noite, indicando que cerco à cidade chegou ao fim

Porto Velho, RO - Horas após 264 combatentes ucranianos deixarem a usina siderúrgica de Azovstal, em Mariupol, e serem levados para áreas mantidas por rebeldes apoiados pela Rússia, começam as especulações sobre qual será seu o destino.

Diversas autoridades ucranianas saudaram os soldados como heróis e indicam pretender libertá-los em trocas de prisioneiros de guerra. Na Rússia, por outro lado, há pressões para que sofram punições severas — e um parlamentar envolvido nas negociações com a Ucrânia pediu inclusive por sua execução, o que a lei russa não permite.

A resistência na usina siderúrgica durante 82 dias, sob intenso bombardeio russo, tornou-se um símbolo da resistência ucraniana.

Segundo a vice-ministra da Defesa da Ucrânia, Hanna Maliar, 53 combatentes feridos foram levados para um hospital na cidade de Novoazovsk, controlada pela Rússia, enquanto outras 211 pessoas foram transportadas para Olenivka, dominada por separatistas pró-Moscou.

Acredita-se que centenas de combatentes permaneçam na usina, e não está claro quando e como eles serão evacuados. Fotos dos que já deixaram a usina mostravam homens com membros amputados e quebrados.

O presidente da Ucrânia, Volodymyr Zelensky, disse que uma operação para "salvar os defensores de Mariupol" já começou, mas demandará "discrição e tempo".

Em uma mensagem em vídeo, Zelensky agradeceu à Cruz Vermelha, à ONU e aos serviços militares e de inteligência da Ucrânia, por seus esforços para "trazer nossos rapazes para casa".

— A Ucrânia precisa de nossos heróis ucranianos vivos. Esse é o nosso princípio — disse ele.

A vice-primeira-ministra ucraniana, Iryna Vereshchuk, no Telegram, disse que a Ucrânia pretende oferecer prisioneiros de guerra russos em retorno.

— No interesse de salvar vidas, 52 de nossos militares gravemente feridos foram evacuados ontem [segunda-feira]. Depois que sua condição se estabilizar, vamos trocá-los por prisioneiros de guerra russos — afirmou.

Em comunicado, o Estado-maior da Ucrânia afirmou que "a guarnição 'Mariupol' cumpriu sua missão de combate". A nota diz ainda que "o comando militar supremo ordenou aos comandantes das unidades estacionadas em Azovstal que salvassem a vida do pessoal".

A troca de prisioneiros, no entanto, deve gerar resistência política na Rússia, com pressões para a punição dos detidos. Entre os combatentes de Azovstal estão muitos integrantes do Batalhão Azov, uma antiga milícia paramilitar neonazista incorporada oficialmente à Guarda Nacional da Ucrânia.

O porta-voz do Kremlin, Dmitry Peskov, disse a repórteres que os combatentes ucranianos que se renderam serão tratados “de acordo com os padrões internacionais”.

Um parlamentar russo que participa de negociações de paz com Kiev disse que a Rússia deveria considerar a pena de morte para os prisioneiros. Em um debate na Câmara Baixa do Parlamento russo,o legislador Leonid Slutsky disse que, embora a Rússia tenha uma moratória sobre a pena de morte, deve "pensar com cuidado" em executar os combatentes do Batalhão Azov:

— Eles não merecem viver depois dos monstruosos crimes contra a humanidade que cometeram e que são cometidos continuamente contra nossos prisioneiros— disse.

Segundo muitos analistas, a retirada dos soldados da usina deve encerrar a resistência em Mariupol, cidade que começou a ser atacada no primeiro dia da guerra e foi cercada já na primeira semana.

A usina siderúrgica, um complexo maior do que muitas cidades europeias repleto de túneis subterrâneos e bunkers, foi o último bastião da defesa ucraniana. Estima-se que cerca de 600 combatentes usaram a usina como base, mas não está claro quantos permanecem lá.

O resto da cidade, antes uma das mais bonitas da Ucrânia, está agora em ruínas. Covas rasas foram abertas em várias partes da cidade, incluindo jardins, para enterrar os mortos. Relatos indicam que milhares de corpos ainda não foram localizados e encontram-se em escombros de edifícios destruídos.


Fonte: O GLOBO

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