Entenda: O caminho de Finlândia e Suécia para a adesão à Otan

Países nórdicos abandonaram política antibelicista após invasão da Ucrânia pela Rússia

Porto Velho, RO — Desde a invasão da Ucrânia pela Rússia, em 24 de fevereiro, a Finlândia e a Suécia estão considerando a possibilidade de se tornarem membros da aliança militar da Otan, o que será uma grande mudança de política para a região nórdica.
 
Moscou já avisou que, se os dois países entrarem para a aliança, poderá implantar armas nucleares e mísseis hipersônicos no enclave europeu de Kaliningrado. Aqui estão as últimas informações sobre esse processo e os principais pontos em discussão.

Quais os próximos passos?

Os próximos dias serão cruciais. Espera-se para esta quinta-feira que o presidente da Finlândia, Sauli Ninisto, anuncie seu apoio à adesão. Niinisto lidera a política externa da Finlândia em cooperação com o governo e sua postura é considerada decisiva para a candidatura. O governo finlandês e o Parlamento também devem aprovar a decisão em breve.

Já na Suécia, o Parlamento está realizando uma revisão da política de segurança, incluindo os prós e contras de ingressar na aliança. Os resultados das reuniões estão sendo esperados para sexta-feira. Já existe uma maioria no Parlamento em apoio à adesão à Otan.

Paralelamente, os sociais-democratas, que constituem o maior partido em todas as eleições nos últimos cem anos, decidirão no domingo se abandonarão a oposição de longa data à adesão à Otan.

Se a Finlândia se candidatar, é provável que a Suécia faça o mesmo, pois não gostaria de ser o único país nórdico fora da aliança. Outros países nórdicos — Noruega, Dinamarca e Islândia — aderiram ao pacto como membros fundadores, em 1949.

Várias pesquisas recentes sugerem uma maioria de suecos a favor — algo nunca visto antes da invasão da Rússia.

Quais são os interesses em jogo?

A Finlândia e a Suécia gostariam de ter garantias de que os países membros da Otan os defenderiam enquanto qualquer pedido fosse analisado e até que se tornem membros plenos.


A ratificação pode levar um ano, dizem diplomatas da Otan, já que os parlamentos de todos os 30 países da Otan precisam aprovar novos membros. O secretário-geral da Otan, Jens Stoltenberg, disse que os países podem aderir "rapidamente" e que ele tem certeza de que acordos podem ser encontrados para o período interino.

A primeira-ministra social-democrata Sanna Marin, que lidera a coalizão de centro-esquerda de cinco partidos da Finlândia, e o presidente Sauli Niinisto têm visitado diferentes países membros da Otan nas últimas semanas, garantindo apoio para uma possível candidatura.

A primeira-ministra sueca, a social-democrata Magdalena Andersson, também realizou dezenas de reuniões com governos da Otan, inclusive com o britânico Boris Johnson, que estava em turnê pela Suécia e depois pela Finlândia na quarta-feira.

Boris Johnson prometeu apoio à Suécia e à Finlândia caso estes sejam atacados. Ambos também já receberam garantias dos Estados Unidos e da Alemanha.

O ministro das Relações Exteriores da Finlândia, Pekka Haavisto, reconheceu que a apresentação de um pedido de adesão por si só não colocaria os dois países sob a égide do Artigo 5 da Otan, que garante que um ataque a um aliado é um ataque a todos os 30 países da aliança.

— Mas, ao mesmo tempo, os países membros da Otan têm interesse em que nenhuma violação de segurança ocorra durante o período de inscrição — disse Haavisto. — A Finlândia poderia, por exemplo, realizar exercícios militares reforçados com membros da Otan durante esse período.

O que a Rússia diz?

Moscou advertiu repetidamente sobre "sérias consequências" se a Finlândia e a Suécia se juntarem à Otan, dizendo que teriam que fortalecer suas forças terrestres, navais e aéreas no Mar Báltico, e levantou a possibilidade de implantar armas nucleares na área.

A Rússia e a Finlândia compartilham uma fronteira de 1.300 km, sendo que a segunda maior cidade russa, São Petersburgo, fica a cerca de 170 km da fronteira com a Finlândia.

A Península de Kola, no Noroeste do Ártico da Rússia, apontando para o Leste da fronteira com a Finlândia e a Noruega, é um "bastião estratégico" que Moscou considera fundamental para sua segurança nacional e também é a base da Frota do Norte da Rússia.

A Finlândia conquistou a independência da Rússia em 1917 e enfrentou-a duas vezes durante a Segunda Guerra Mundial, perdendo algum território para Moscou. A Finlândia assinou um Acordo de Amizade, Cooperação e Assistência Mútua com a Rússia em 1948, consolidando um certo grau de dependência econômica e política e isolando-a militarmente da Europa Ocidental.

O fim da Guerra Fria, trazendo a dissolução da União Soviética, permitiu que a Finlândia saísse da sombra da Rússia à medida que a ameaça de Moscou diminuía. O país confiou em sua própria dissuasão militar e relações amistosas com Moscou para manter a paz. Mas, com a invasão da Ucrânia pela Rússia, o presidente russo, Vladimir Putin, parece bem menos amigável.


Fonte: O GLOBO

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