Procurador francês investiga Le Pen após relatório da UE com denúncias de fraude

Líder ultraconservadora é acusada de usar verbas do Parlamento Europeu para bancar despesas do próprio partido

Porto Velho, RO — A promotoria de Paris abriu uma investigação relacionada às alegações de que a líder nacionalista Marine Le Pen e vários membros de seu partido usaram indevidamente centenas de milhares de euros de fundos da União Europeia entre 2004 e 2017, quando ela era membro do Parlamento Europeu. A informação surge a menos de uma semana da eleição presidencial francesa, na qual ela enfrenta o atual presidente francês, Emmanuel Macron, no segundo turno.

A promotoria disse que, em 11 de março, recebeu um relatório produzido pelo Organismo Europeu de Luta Antifraude (Olaf), e que as denúncias atualmente estão sob análise. O site francês Mediapart revelou a existência do relatório neste sábado.

O advogado de Le Pen, Rodolphe Bosselut, negou qualquer irregularidade em entrevista à emissora de TV BFM TV. Um porta-voz de Le Pen não respondeu a pedidos de comentário.

De acordo com Mediapart, o relatório aponta que várias despesas políticas apresentadas por Le Pen e aliados de seu partido quando eram deputados eram fictícias.

As despesas incluem a aquisição de equipamentos promocionais para a realização de uma conferência em 2014, pagamentos a vários prestadores de serviços e organizações, compras pessoais de vinho e financiamento para eventos do partido não relacionados a responsabilidades parlamentares.

O valor total da suposta fraude é superior a € 617 mil (R$ 3,13 milhões). Le Pen seria pessoalmente responsável por cerca de € 137 (R$ 696 mil) e seu pai, Jean-Marie Le Pen, por cerca de € 303 mil (R$ 1,54 milhões), segundo a Mediapart..

Um porta-voz do Olaf disse que a agência finalizou a sua investigação em setembro de 2021, oferecendo uma série de recomendações, e enviou seu relatório final ao Parlamento Europeu e às autoridades judiciais francesas e belgas. A investigação levantou suspeitas sobre várias pessoas e entidades. O porta-voz acrescentou que “os relatórios finais dos casos não são tornados públicos pelo Olaf”.

As pesquisas apontam para uma vitória de Macron no segundo turno no próximo domingo (24 de abril), e a diferença entre o presidente e Le Pen aumentou na semana passada, de acordo com um agregador de pesquisas. Mas ainda é provável que a disputa seja muito mais acirrada do que na eleição de 2017, quando Macron derrotou Le Pen por mais de 30 pontos percentuais.


Fonte: O GLOBO

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