Flamengo x Palmeiras é exemplo de que invasão portuguesa tem mais rivalidade e menos interação entre técnicos

Paulo Sousa tenta repetir Abel Ferreira e manter hegemonia de títulos que começou com Jorge Jesus e atraiu outros portugueses ao Brasil

Porto Velho, RO - O sucesso dos treinadores portugueses pelo mundo a partir dos anos 2000, capitaneado por José Mourinho, só ecoou no Brasil duas décadas depois, e tanto a presença de Abel Ferreira no comando do Palmeiras, como a de Paulo Sousa à frente do Flamengo — as equipes se enfrentam hoje, às 19h30, no Maracanã, pelo Brasileiro — se justificam pelos resultados obtidos por Jorge Jesus.

Desde o Flamengo de 2019, a necessidade crescente de uma atualização dos conceitos táticos aplicados às equipes brasileiras gerou o que se chama de “invasão portuguesa”, que trouxe, a reboque dos títulos de Jesus e posteriormente de Abel Ferreira no Palmeiras, mais dois profissionais: 

Vitor Pereira, no Corinthians, e Luís Castro, no Botafogo. Mas se engana quem pensa que há uma correlação entre os trabalhos dos portugueses além da nacionalidade.

O único ponto em comum dos profissionais lusitanos é o de partida. Qualquer um que queira seguir a carreira no país precisa de certificação da Federação Portuguesa, e para obtê-la é preciso passar por cursos universitários ou algum com as mesmas bases curriculares. 

Esse ambiente acadêmico costuma persistir no mercado de trabalho português, com regular troca de ideias sobre futebol e busca de informações sobre jogadores. Mas quem trabalha com estes profissionais, além dos próprios, indica que tem sido cada um por si, sobretudo quando ganham o mundo.

— Sou uma pessoa que tenho muito boa relação com os meus colegas, de respeito e reconhecimento pelo trabalho que desenvolvem. Sou um treinador muito no meu canto, que monto o meu mundo e não ando atrás dos outros. Bons amigos todos, mas temos andado em mundos diferentes — afirmou ao GLOBO Luís Castro, antes de fechar com o Botafogo.

O técnico de 60 anos é o mais velho dentre os quatro portugueses. Vitor Pereira (53), Paulo Sousa (51) e Abel Ferreira (43) vêm na sequência. Castro é também uma espécie de representante dessa ala acadêmica ainda hoje, com ar professoral e trabalhos junto às categorias de base para desenvolver os principais conceitos desde os mais jovens. 

Começou em equipes pequenas, parou um bom tempo, e chamou atenção após trabalhos de base no Porto, em 2014. Começou como técnicio principal no Rio Ave em 2016 e chegou ao Shakhtar, da Ucrânia, em 2019. De lá, foi para o Al-Duhail, do Catar. É visto em Portugal como o mais completo dentre os quatro. Embora não tenha títulos relevantes.

O roteiro é semelhante com os demais: sucesso local, chance em uma segunda prateleira na Europa como a Grécia ou o mundo árabe, e Brasil. Foi assim inclusive com Jorge Jesus. Badalados mais por suas ideias do que por seus resultados, os quatro portugueses se reencontram no Brasil com a competitividade aguçada, sem intercâmbio. Há quem diga até que não existe muita amizade entre treinadores em Portugal.

"O Abel Ferreira é um treinador espetacular, o Paulo Sousa também. Mas eu sou eu, não vou me comparar a ninguém. Cada um com as suas características” afirmou Vitor Pereira quando estava a caminho do Corinthians. 

Pereira é considerado de alto nível técnico, mas de difícil comunicação e nervos mais aflorados. No grupo, é quem tem mais conquistas: duas Primeiras Ligas e duas Supertaças de Portugal com o Porto; uma Superliga Grega e uma Copa da Grécia com o Olympiacos e um Campeonato Chinês e uma Supercopa da China com o Shanghai SIPG.

"O Vitor (Pereira) é uma pessoa que eu conheço. Aprendi a admirá-lo quando ele era treinador do Porto. Depois, ele seguiu sua carreira mais longe. É um bom treinador", disse Abel logo que o conterrâneo foi anunciado.

Antes de chamar atenção no Braga, Abel trabalhou no Vitória de Guimarães com Paulo Autuori e na seleção de Portugal com Felipão. Não conquistou nada até vir ao Palmeiras. Se adaptou rápido ao cenário brasileiro. Nos bastidores, nutre respeito aos colegas, e reconhece que no país há pouca integração dos técnicos. 

"Costumamos nos falar sim, mas agora é competição", comentou. É um técnico com o alto poder de comunicação e de mobilização de seus comandados, elogiado de Brasil a Portugal. Mas tem temperamento tão explosivo quanto Vitor Pereira.

Jogador da seleção de Portugal, Paulo Sousa tem no histótico duas Ligas dos Campeões, com Dortmund e Juventus, o que o difere dos demais. O italiano Marco Stetto conta no no livro “Paulo Sousa, o português vagante” como o técnico fez a transição entre as carreiras. 

Iniciou como auxiliar do brasileiro Felipão e depois do português Carlos Queiroz nas seleções de base. Enquanto era funcionário da federação, recebeu convite para dirigir pela primeira vez um time, o Queens Park Rangers. 

Desde então as portas se abriram no mercado húngaro, israelense, suíço, italiano, chinês, francês, polonês e agora no Brasil para comandar o Flamengo, onde finalmente terá um time competitivo para brigar por títulos.

Casa cheia e reforço na zaga

O Flamengo vai a campo com a base da equipe que venceu o São Paulo e colocou o técnico Paulo Sousa em viés de alta outra vez. O torcedor veio junto e comprou mais d e 60 mil ingressos para encher o Maracanã no confronto de duas equipes postulantes ao título. 

Se o Flamengo vem de um empate e uma vitória, o Palmeiras só tem um ponto em dois jogos e precisa se recuperar. O único desfalque para a partida deve ser o zagueiro Luan, que segue em recuperação de lesão na coxa. O restante do elenco está à disposição.

Do lado rubro-negro, Pablo tem chances de ser relacionado e reforçar a zaga. O jogador participou normalmente dos últimos cinco dias de treino com bola e pode atuar na vaga de Filipe Luís.

No entanto, o Flamengo segue com uma série de desfalques. O principal deles é Bruno Henrique, que teve um problema no joelho direito e faz tratamento intensivo. Também seguem fora os zagueiros Rodrigo Caio, Gustavo Henrique e Fabrício Bruno, além do atacante Vitinho e do lateral Matheuzinho. Desta vez, Isla deve ter oportunidade como titular na ala.


Fonte: O GLOBO

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