EUA 'querem ver Rússia enfraquecida' e oferecem mais US$ 322 milhões em ajuda militar à Ucrânia em encontro de secretários com Zelensky

Chanceler americano diz que Moscou falhou em seus 'objetivos de guerra' e presidente ucraniano agradece ajuda

Porto Velho, RO — Em uma reunião em Kiev no domingo entre o presidente ucraniano, Volodymyr Zelensky, e os secretários americanos de Estado, Antony Blinken, e de Defesa, Loyd Austin, os EUA ofereceram uma ajuda militar adicional à Ucrânia de US$ 322 milhões, que vai se somar aos US$ 3,4 bilhões de auxílio já fornecido por Washington. Após o encontro, Austin disse nesta segunda-feira que Washington quer "ver a Rússia enfraquecida".

— Queremos ver a Rússia enfraquecida a ponto de não poder fazer o tipo de coisa que fez ao invadir a Ucrânia — disse Austin na Polônia. — Ela já havia perdido muita capacidade militar e muitas de suas tropas, francamente, e queremos que eles não tenham a possibilidade de reproduzir essa capacidade muito rapidamente.

A visita à capital ucraniana, que não fora divulgada anteriormente e apenas informada no domingo por autoridades ucranianas quando os americanos já estavam em Kiev, durou três horas. Segundo Austin, o encontro com Zelensky foi "muito produtivo".

Blinken também anunciou que diplomatas americanos retornariam em breve à Ucrânia e que esperava que a embaixada em Kiev reabrisse em poucas semanas.

— Em termos dos objetivos de guerra, a Rússia já falhou e a Ucrânia já teve sucesso — afirmou o secretário de Estado.

A Rússia afirma que nunca teve o objetivo de derrubar o governo ucraniano. Governos ocidentais, por outro lado, dizem que essa era a meta de Moscou, mas que falhou diante da resistência ucraniana. Atualmente, a Rússia já declarou que concentra suas ações militares no Leste ucraniano, visando controlar os territórios separatistas pró-Moscou da região do Donbass.

Após o encontro, Zelensky disse que estava "muito agradecido" pela ajuda militar americana e elogiou o presidente Joe Biden pelo seu "apoio pessoal".

O presidente ucraniano disse que conversou com os secretários sobre assistência de defesa, sanções russas, apoio financeiro à Ucrânia e garantias de segurança. Zelensky também disse que os US$ 3,4 bilhões em ajuda militar dados pelos EUA elevaram as capacidades defensivas da Ucrânia.

De acordo com uma alta autoridade de Defesa dos EUA, o governo americano está oferecendo mais US$ 322 milhões em ajuda militar à Ucrânia para auxiliar o país a comprar armas para reabastecer suas forças. O valor faz parte de um pacote maior de auxílio de US$ 713 destinado também a outros membros da Otan (aliança militar do Ocidente) e a outros países que auxiliaram Kiev com suprimentos militares na guerra. Além disso, Washington está vendendo a Kiev munições soviéticas estimadas no valor de US$ 165 milhões.

Austin e Blinken já deixaram a Polônia e chegaram à Base Aérea de Ramstein, na Alemanha, para uma reunião na terça-feira com líderes da Otan, da Ucrânia e de mais de 20 outros países, onde terão mais informações atualizadas sobre a guerra e deverão discutir novas ajudas militares a Kiev.

Em resposta a esse auxílio, o embaixador de Moscou em Washington disse ao governo americano para parar de enviar armas para a Ucrânia, alegando que as entregas de armamentos por parte do Ocidente estão inflamando o conflito e levariam a mais perdas.

— O que os americanos estão fazendo é jogar óleo nas chamas — disse o embaixador Anatoly Antonov ao canal de TV Rossiya 24, afirmando que as entregas de armas visam enfraquecer a Rússia. — Vejo apenas uma tentativa de aumentar as apostas, de agravar a situação, de ver mais perdas.

Antonov disse que uma nota diplomática foi enviada a Washington expressando as preocupações da Rússia. Segundo ele, nenhuma resposta foi dada.

Apenas algumas semanas atrás, Kiev era uma cidade na linha de frente sob toque de recolher e bombardeio da invasão russa iniciada em 24 de fevereiro, com dezenas de milhares de tropas russas concentradas em seus arredores ao norte. Os moradores passavam noites amontoados em estações de metrô, protegidos da artilharia.

Hoje, as tropas russas mais próximas estão a centenas de quilômetros de distância, a vida normal está voltando à capital, os líderes ocidentais estão realizando visitas e os países estão reabrindo suas embaixadas.


Fonte: O GLOBO

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