Em meio a críticas, Alemanha diz que está aberta a enviar armas pesadas à Ucrânia

Ministra das Relações Exteriores alemã diz que 'não há tabus em relação a veículos blindados e outros armamentos' que o país precisa; declaração ocorre no mesmo dia em que Vladimir Putin reivindicou vitória em Mariupol

Porto Velho, RO — A Alemanha está examinando que manutenção e munição extra que seu estoque de veículos blindados de combate de infantaria Marder precisará para a Ucrânia usá-los na guerra contra a Rússia, disse a ministra das Relações Exteriores Annalena Baerbock. A declaração ocorre em meio a críticas de aliados sobre uma aparente dificuldade de Berlim em entregar o armamento que Kiev diz precisar.

— Não há tabus para nós em relação a veículos blindados e outros armamentos que a Ucrânia precisa — disse ela em entrevista coletiva nesta quinta-feira ao lado de seu homólogo da Estônia, no segundo dia de uma visita aos países bálticos.

Anteriormente, o jornal alemão Bild acusou o chanceler Olaf Scholz de bloquear as entregas de tanques. Muitos analistas dizem que a Ucrânia precisa urgentemente de armas pesadas para repelir uma invasão russa que agora se concentrou em tomar terreno na região leste do Donbass.

Ainda nesta quinta, o presidente russo Vladimir Putin afirmou que suas tropas tomaram com "sucesso" a cidade portuária de Mariupol, ordenando um cerco aos últimos combatentes entrincheirados na usina de Azovstal, mas cancelando um ataque ao local. O assessor do presidente da Ucrânia, no entanto, afirmou que a Rússia percebeu que não poderia tomar o complexo siderúrgico da cidade, por isso tomou essa decisão.

Embora os armamentos leves e as táticas da Ucrânia tenham tido algum sucesso em retardar o avanço da Rússia, parar e reverter essa incursão exigirá armamento pesado no campo de batalha, como tanques e obuses, dizem os analistas.

Baerbock disse que a prioridade era garantir que a Ucrânia rapidamente adquirisse um conjunto mais antigo projetado pelos soviéticos que seus militares pudessem usar sem treinamento extra, e que estava fazendo isso preenchendo os estoques de países aliados que tinham esse armamento de sobra com equipamentos modernos fabricados na Alemanha.

As próprias Forças Armadas alemãs enfrentaram escassez de equipamentos, acrescentou ela, afirmando que as missões de paz alemãs na África não tinham todos os helicópteros de que precisavam.

Pressionada por jornalistas se o tanque Leopard da Alemanha seria enviado para a Ucrânia, ela disse que as tropas precisariam de treinamento para usar esse equipamento avançado, e que Berlim pagaria por esse treinamento.

— Estamos fornecendo um bilhão de euros porque devemos pensar não apenas nos próximos dias e meses, mas também nos próximos anos, nos sistemas que a Ucrânia precisa para defesa agora, mas também em uma Ucrânia livre no futuro — disse ela. — Sabemos que todos os dias contam.


Fonte: O GLOBO

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