A pouco mais de duas semanas de deixar a Presidência da Coreia do Sul, Moon Jae-in troca cartas com Kim Jong-un

Líderes afirmaram que acordos assinados 'não podem ser apagados', e sul-coreano espera que sucessor dê sequência ao diálogo com Pyonyang

Porto Velho, RO — A poucos dias de uma mudança de comando na Coreia do Sul que pode significar o agravamento das relações entre os dois lados da Península Coreana, os líderes sul-coreano, Moon Jae-in, e norte-coreano, Kim Jong-un, trocaram cartas nas quais reiteraram o desejo de retomada do diálogo bilateral, hoje virtualmente congelado.

De acordo com agência estatal norte-coreana KCNA, Moon, que deixará o cargo no dia 9 de maio, relembrou as iniciativas diplomáticas conduzidas ao longo de seus cinco anoa de mandato, "mesmo em circunstâncias difíceis", e expressou "sua vontade de trabalharem juntos para que as declarações conjuntas norte-sul possam servir de base para a reunificação". Para ele, "a era do confronto deve ser superada através do diálogo”.

Ambos pontuaram, de acordo com a KCNA, os anúncios de declarações, como a de Panmunjom, em 2018, um dos pontos mais altos do processo de aproximação diplomática entre os dois países, que incluiu termos relacionados à redução de tensões, especialmente militares. 

Em sua mensagem, Kim declarou que esses foram avanços "que não podem ser apagados", e para a KCNA, essa troca de cartas "é um sinal de profunda confiança" bilateral.

As mensagens foram trocadas entre os dias 20 e 21, segundo o governo sul-coreano.

Um dos grandes objetivos de Moon Jae-in no cargo era obter algum tipo de avanço palpável e durável com a Coreia do Norte, especialmente após um período marcado por uma série de testes de mísseis balísticos e, mais grave, de armas nucleares. 

A Declaração de Panmunjom, por exemplo, foi um sinal de que ele estaria no caminho certo, mas o contexto geopolítico, além de fatores internos, acabaram mudando as expectativas.

O fracasso nas negociações com os EUA, entre 2018 e 2019, levaram ao congelamento da diplomacia e ao agravamento do discurso por parte de Pyongyang — em 2020, em um ato simbólico, Pyongyang explodiu o escritório de ligação intercoreana em Kaesong, na divisa entre os dois países. 

A grave crise econômica norte-coreana, agravada pelo fechamento do país ao exterior após o início da pandemia, também não ajudaram no processo.

Moon, contudo, buscou até o fim de seu mandato um acordo que pudesse servir de legado.

— Este governo vai buscar a normalização das relações intercoreanas e um caminho irreversível para a paz até seu final. Espero que os esforços para o diálogo continuem também na próxima administração — declarou Moon em seu discurso de Ano Novo, sinalizando para uma nova ofensiva diplomática, que acabou não se concretizando, e que ele disse, nas cartas, esperar que seu sucessor dê sequência.

No dia 10 de maio, o presidente dará lugar ao conservador Yoon Seok-yeol, que apresentou na campanha uma postura mais dura em relação à Coreia do Norte. Em diversas ocasiões, defendeu o direito de lançar um ataque preventivo contra as armas nucleares de Kim Jong-un, no momento em que o país realiza uma série de testes de mísseis e em que analistas afirmam que um novo teste atômico pode ocorrer em breve.


Fonte: O GLOBO

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