Rússia ataca alvos em Lviv, perto da fronteira com a Polônia, e gera temor de que conflito se espalhe para o Oeste

Na capital, Kiev, em Kharkiv e Kramatorsk, bombardeios em áreas residenciais deixaram ao menos quatro pessoas mortas e 17 feridas

Porto Velho, RO - Foguetes russos explodiram nesta sexta-feira em Lviv, uma cidade no Oeste da Ucrânia a 80 km da fronteira com a Polônia que, até agora, havia sido praticamente poupada durante a guerra.

Os alvos do ataque, segundo a prefeitura, foram edifícios onde operava uma instalação de reparo de aviões. 

Autoridades ucranianas afirmam que seis mísseis foram lançados desde o Mar Negro, mas só quatro atingiram os seus alvos, pois dois foram interceptados por baterias antiaéreas. 

Fontes citadas por jornalistas em Lviv dizem que a oficina de aviões pertence à empresa ARZ, e fazia manutenção em aeronaves da Força Aérea ucraniana.

O ataque acontece dias após mísseis russos atacarem uma base militar nos arredores da cidade, onde concentravam-se soldados estrangeiros que integram a legião internacional da Ucrânia. 

O governo regional afirmou que até 35 pessoas morreram e 134 ficaram feridas no ataque à base. Os russos falam em até 180 mortos.

O ataque desta sexta-feira gera o temor de que o conflito se intensifique no Oeste da Ucrânia, uma região que tem servido de abrigo para refugiados da guerra e de rota de fuga do país. Já antes do conflito, muitas embaixadas mudaram suas sedes Kiev para Lviv, assim como jornalistas e trabalhadores humanitários se estabeleceram por lá.

Segundo a prefeitura, há cerca de 200 mil refugiados atualmente morando Lviv, somando-se a uma população anterior de 720 mil habitantes. A cidade é patrimônio da Unesco e uma das regiões com maior influência do Ocidente na Ucrânia.


O ataque desta sexta-feira se integra na estratégia russa de mirar a infraestrutura militar ucraniana. Aeroportos têm sido um alvo preferencial da campanha, assim como indústrias militares e paióis. A Rússia afirma que a “desmilitarização” da Ucrânia é um de seus objetivos estratégicos.

Apesar de continuarem com bombardeios pesados em Kharkiv, Chernihiv, Sumy e Mariupol, e de atacarem alvos pontuais em quase todas as outras partes do país, as forças russas têm dificuldades para avançar, e, depois de mais de três semanas de guerra, ainda não dominaram nenhuma das 10 maiores cidades da Ucrânia.

Em seu boletim diário, a inteligência britânica afirmou que "as forças russas fizeram progressos mínimos esta semana". O boletim afirma que as forças ucranianas em torno de Kiev e Mykolaiv, no Sul, tem sido bem sucedidas em repelir os ataques.

A situação mais dramática é em Mariupol, que encontra-se sob ataque desde o primeiro dia da campanha (24 de fevereiro) e sob cerco desde o início de março. A cidade encontra-se sem energia elétrica, sem fornecimento de água e todas as suas lojas de comida e farmácia foram saqueadas.

Mais de 350 mil pessoas, em uma população de 450 mil estão em abrigos em Mariupol, disseram autoridades ucranianas. 

A defensora do povo ucraniano, Lyudmyla Denisova, afirmou que 130 pessoas foram resgatadas de um teatro na cidade que foi bombardeado na quarta-feira. 

 Ela também afirmou que mais de 173 mil pessoas conseguiram fugir de suas cidades na linha de frente usando corredores humanitários, e que nove destes seriam abertos hoje.

O Ministério da Defesa russo informou que o Exército russo e seus aliados separatistas enfrentaram tropas ucranianas no centro da cidade nesta sexta-feira.

— Em Mariupol, as unidades da [autoproclamada] República Popular de Donetsk, com o apoio das forças russas, apertam o cerco e combatem os nacionalistas no centro da cidade — disse o porta-voz do ministério, Igor Konashenkov.

Em Kharkiv, no Leste do país e perto da fronteira com a Rússia, um prédio de ensino de vários andares foi bombardeado na manhã de sexta-feira, matando uma pessoa, ferindo 11 e prendendo outra nos escombros, informou o serviço de emergência estatal da Ucrânia.

Foguetes também teriam atingido a cidade oriental de Kramatorsk, matando duas pessoas e ferindo seis. Uma pessoa foi morta e outras quatro ficaram feridas depois que partes de um míssil russo caíram em um prédio residencial na parte norte da capital ucraniana, Kiev. Os serviços de emergência disseram que 12 pessoas foram resgatadas e 98 evacuadas do bloco de cinco andares.

O governador da região de Luhansk, no Leste da Ucrânia, disse que bombardeios frequentes e generalizados das forças russas impedem a evacuação segura de civis de cidades e vilarejos na linha de frente.

Nesta sexta-feira, a Rússia estabeleceu uma zona de exclusão aérea sobre toda região separatista de Donbass, de acordo com uma autoridade separatista da República Popular de Donetsk.

A informação foi divulgada pela agência de notícias Interfax.


Fonte: O GLOBO

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