Peru suspende temporariamente libertação do ex-ditador Fujimori

Aos 83 anos, ele cumpre pena de 25 anos de prisão desde 2009 por violações de direitos humanos

Porto Velho, RO — O Peru cumprirá o pedido da Corte Interamericana de Direitos Humanos (Corte da CIDH) que solicitou, na quarta-feira, que o Tribunal Constitucional "se abstenha" de executar a ordem de libertar o ex-presidente Alberto Fujimori, decisão tomada há 15 dias. Com 83 anos, Fujimori cumpre pena de 25 anos de prisão desde 2009 por violações de direitos humanos.

Há duas semanas, o tribunal aprovou sua libertação por razões humanitárias, restabelecendo um indulto concedido em dezembro de 2017 e revogado dez meses depois. A votação, que ficou empatada por três a três, foi decidida pelo presidente do colegiado, Augusto Ferrero, advogado que era candidato do fujimorismo quando disputou sua entrada no órgão, em 2017.

A Corte IDH pediu que a libertação seja evitada até que o tribunal internacional resolva um recurso apresentado pelos familiares das vítimas de massacres ocorridos durante o governo de Fujimori. O magistrado brasileiro na CIDH, Rodrigo Mudrovitsch, votou contra a libertação do ex-presidente.

O anúncio de que o Peru cumpriria a solicitação foi feito pelo procurador-geral peruano, Carlos Reaño. Na semana passada, a Justiça do Peru já havia determinado que Fujimori não saísse do país por pelo menos 18 meses, mesmo depois de deixar a prisão.

Fujimori foi condenado em 2009 como autor indireto dos massacres de Barrios Altos (15 mortos, inclusive uma criança), em 1991, e de La Cantuta (10 mortos), em 1992, executados por esquadrões militares enquanto seu governo lutava contra os guerrilheiros de esquerda do Sendero Luminoso.

Seus aliados — incluindo sua filha Keiko Fujimori, que concorreu à Presidência três vezes (2011, 2016 e 2021) — há muito dizem que ele enfrenta problemas de saúde e merece um perdão humanitário. Segundo seus médicos, o ex-presidente sofre com úlceras estomacais, hipertensão, fibrose pulmonar e foi submetido a várias operações na língua devido a lesões cancerosas.

Fujimori é o único detento do pequeno presídio de Barbadillo, localizado na sede da Diretoria de Operações Policiais Especiais, no Leste de Lima.


Fonte: O GLOBO

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