Países prometem apenas metade da ajuda pedida pela ONU ao Afeganistão

Organização alertou que 9 milhões de pessoas correm risco de passar fome no país

Porto Velho, RO — Um grupo de 41 países se comprometeu nesta quinta-feira a doar US$ 2,44 bilhões em ajuda humanitária ao Afeganistão, um valor um pouco maior que a metade dos US$ 4,4 bilhões pedidos pela ONU, que disse que 9 milhões de pessoas correm risco de passar fome no país asiático, onde famílias estão vendendo filhos e orgãos para sobreviver.

Mais cedo, o secretário-geral da ONU, António Guterres, apelou aos doadores para fornecer um financiamento "incondicional".

— Sem ação imediata, enfrentaremos uma crise de fome e desnutrição no Afeganistão — alertou Guterres em seu discurso de abertura.

Joyce Msuya, vice-coordenadora de ajuda de emergência da ONU, anunciou que US$ 2,44 bilhões foram prometidos nas negociações durante as quais doadores ocidentais, incluindo Estados Unidos, União Europeia e Reino Unido, criticaram fortemente a decisão do Talibã de impedir que meninas no país voltassem ao ensino médio na semana passada.

O grupo fundamentalista, que retomou o poder em agosto do ano passado, já prometera apresentar uma versão moderada de seu duro regime anterior que vigorou entre os anos de 1996 e 2001. Nesta quinta, Guterres pediu a reabertura das escolas para todos os alunos no Afeganistão "sem discriminação".

A ONU ainda pediu aos doadores que não caiam na armadilha de esquecer a crise no Afeganistão pela atenção que prestam à invasão russa à Ucrânia.

— A Ucrânia é de vital importância, mas o Afeganistão apela a nossas almas por compromisso e lealdade — declarou o coordenador humanitário da ONU, Martin Griffiths

A organização ainda indicou que o Afeganistão está próximo de um colapso econômico: mais de 24 milhões de pessoas necessitam de assistência humanitária. Por pressão dos EUA, organismos como o FMI e o Banco Mundial congelaram os repasses ao país da Ásia Central. 

Após a saída americana e a chegada do Talibã ao poder, o governo Biden ainda confiscou grande parte das reservas do Banco Central afegão depositadas nos EUA, o que provocou um colapso do sistema bancário local.

— Cerca de 95% das pessoas não têm o suficiente para comer. Nove milhões de pessoas correm o risco de passar fome. O Unicef [Fundo das Nações Unidas para a Infância] estima que um milhão de crianças gravemente desnutridas estão à beira da morte, se não houver ação imediata — disse Guterres em uma mensagem de vídeo. — As pessoas já estão vendendo seus filhos e partes de seus corpos para alimentar suas famílias.

Já Griffiths afirmou que serviços básicos como saúde e educação estão "de joelhos", enquanto milhões de pessoas não têm acesso a empregos e muitos recorrem a empréstimos para sobreviver:

— E como se as coisas não pudessem piorar mais, o país sofre a pior seca em décadas.

Falando de Doha, após reuniões em Cabul, Griffiths disse que teve a impressão "de que a porta para o diálogo com as autoridades continua aberta, eles querem encontrar uma maneira construtiva de trabalhar conosco":

— Eles não sabem necessariamente como trabalhar com a comunidade internacional, incluindo a complexa questão da educação das meninas. Espero que possamos resolver esse problema no futuro.

A ONU diz que os fundos vão diretamente para agências de ajuda e nenhum é canalizado pelas autoridades que governam o Afeganistão.


Fonte: O GLOBO

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