Análise: São Paulo anula Palmeiras em noite que Rogério Ceni tomou de Abel o lugar de estrategista

Com dois gols, Calleri rouba a cena; São Paulo pode perder por um gol de diferença domingo, na Alianz Arena

Porto Velho, RO - Abel Ferreira chegou à final do Paulista vivendo seu melhor momento no Palmeiras. Graças à fama (mais do que justa) de estrategista que já rendeu ao time quatro títulos em um ano e meio. Mas na noite desta quarta é Rogério Ceni quem merece o título. Foi o seu São Paulo que, com um plano de jogo eficiente, anulou o adversário e impôs um 3 a 1 que o deixa em grande vantagem para ser bicampeão.

No próximo domingo, na Alianz Arena, o Palmeiras terá que vencer por três gols de diferença para ficar com a taça. Se vencer por dois, a decisão será nos pênaltis. Qualquer outro resultado confirma a conquista para os são-paulinos.

O ritmo dos primeiros minutos da partida deu a impressão de que a disputa seria mais dinâmica. O São Paulo valorizou a posse, trocou passes com calma e girou a bola em busca de espaço. Foi assim que quase abriu o placar quando Alisson acertou o travessão, aos 11.

Também fiel ao seu estilo, o Palmeiras apostou nos ataques rápidos e bastante verticais. E chegou com perigo duas vezes. Na melhor delas, Jailson defendeu à queima roupa uma tentativa de letra de Dudu, aos 20.

Só que a final acabou ficando mais marcada pela tentativa de imposição corporal de ambos os lados do que pelo duelo tático. E o excesso de faltas e bate-boca roubou a cena, reduzindo o ritmo do jogo.

Neste sentido, melhor para o São Paulo, que soube anular bem o adversário e controlou a partida. Mantendo suas linhas mais próximas e pressionando sempre que perdia a bola, os são-paulinos bloquearam o que o Palmeiras tem de melhor: as jogadas de contra-ataque.

À marcação tricolor, some-se a noite pouco inspirada de três peças das quais o esquema palmeirense depende muito. Zé Rafael, Raphael Veiga e Gustavo Scarpa foram muito discretos na criação. Dudu e, principalmente, Rony ficaram isolados na frente.

Se o primeiro gol, de Calleri, foi envolvido em polêmica (pênalti marcado aos 48 do primeiro tempo após a bola bater na mão de Marcos Rocha, que tinha o braço próximo ao corpo), não há o que se questionar no fato dos donos da casa terem saído com a vitória. 

Os tricolores sobraram na etapa final. Conseguiram empurrar o adversário dentro de sua própria área até ampliar o placar, com o chute de Pablo Maia (livre para finalizar de fora da área) que desvia em Murilo e tira Weverton da jogada.

O terceiro premiou a partida de Calleri. Impecável na função de incomodar dentro da área e atrair para si a marcação, o argentino apareceu bem na pequena área para concluir jogada ensaiada em cobrança de escanteio, aos 35. Seu segundo gol na noite só não decidiu a final porque Raphael Veiga descontou em cobrança de falta, quatro minutos depois. Com isso, garantiu uma sobrevida para os palmeirenses na disputa.

É inegável, contudo, que o 3 a 0 teria sido um placar mais justo com o que foi o jogo. Resta saber se Abel aproveitará a chance.


Fonte: O GLOBO

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